Nome de baptismo: António Alberto Martins
Data de nascimento: 10/10/1927
Local de nascimento: Benfeita - ARGANIL
Data de falecimento: 04/03/2012
Local de falecimento: Benfeita - ARGANIL
Sepultado em: Cemitério de Benfeita - ARGANIL
Localização: Sepultura 65
Responsável: Site da Benfeita - 19/03/2012

António Alberto Martins

ANTÓNIO "MINA"

1927-2012

António Alberto Martins, também conhecido por "Tóino Mina", era uma pessoa muito estimada no meio benfeitense. O seu apelido ligava-o a sua mãe Maria Guilhermina Gonçalves que era conhecida pelo diminuitivo "Mina". Assim, o António, filho da Mina, passou a ser conhecido por António Mina, desde muito novo.

Seu pai, José Augusto Martins, foi canastreiro e barbeiro de profissão. Foi encorporado na Companhia de Saúde, em Coimbra, e foi mobilizado para a guerra de 1914-18, tendo seguido para a frente francesa, como ajudante de enfermeiro. De regresso à Benfeita combinou a arte de barbeiro com outras actividades paralelas, como dar injecções, fazer pequenas cirurgias, tirar quistos, arrancar dentes e receitar medicamentos tanto nas terras da freguesia como nas aldeias limítrofes.

Depois de concluir o exame da quarta classe, na escola da Benfeita, o António Mina entrou como aprendiz para a barbearia do seu pai.

Aos 17 anos de idade ficou ligado a uma actividade que lhe deu muito prazer - tratar da Torre da Paz e garantir que o mecanismo do relógio trabalhasse sempre, e bem. A sua casa situava-se a cerca de 20 metros da Torre; por isso, nunca se esqueceu de subir os degraus da pequena torre, duas vezes por semana, para rodar a manivela que puxava os pesos megalíticos no fosso da torre, enrolando a corda que lhe transmitia o movimento.

Assistiu à construção da torre desde a colocação da primeira pedra, razão pela qual tratava da manutenção do relógio como se fosse o seu "menino".

A 7 de Maio de 1945, a Torre da Paz foi inaugurada ainda sem ter o seu relógio, que só viria a ser instalado dois meses depois. O presidente da Junta de Freguesia, Alfredo Oliveira teve, então, de tocar o Sino da Paz, à mão, para assinalar o fim da guerra na Europa, conforme havia sido planeado. Depois de alguns momentos e de várias pessoas terem tido a honra daquele gesto, a corda passou para as mãos do "Mina" e, desde então, foi ele o responsável pelo repique automático do relógio, durante os 59 anos que se seguiram.

Foi funcionário dos CTT, empresa onde durante muitos anos desempenhou as funções de Carteiro com aprumo e pontualidade, fazendo as folgas e as licenças dos colegas, calcorreando montes e vales na distribuição da correspondência por toda a freguesia.

Casou com Maria do Rosário Simões, em 11/02/1952, quando desempenhava as funções de Auxiliar da Igreja de Santa Cecília, como sacristão, cargo que viria a renunciar por desentendimentos com o pároco José Redondo. Deste casamento viria a nascer um único filho, Rogério Simões Martins.

Durante muitos anos foi colaborador do "Jornal de Arganil" onde, frequentemente, deixava o seu testemunho da terra, com empenho e entusiasmo, comentando os acontecimentos mais marcantes do quotidiano benfeitense. Raramente se encontravam notícias sobre a Benfeita, neste jornal, que não fossem assinadas por si, muito contribuindo para a divulgação da nossa terra.

Em 2004, em consequência de uma cirurgia dupla, ao joelho direito e à anca esquerda, no Hospital da Universidade de Coimbra, o ti Mina, como era também era conhecido, ficou "agarrado" definitivamente a uma cadeira de rodas, nunca mais tendo subido a escadaria de Santa Rita, nem os degraus da Torre da Paz, para dar corda ao "seu" relógio e continuar a missão que voluntariamente abraçou.

Em 2010, com 83 anos de idade, face ao agravar do seu estado de saúde, o ti Mina deu entrada no Lar de Idosos do Centro Social do Sarzedo, aonde era muito estimado, e aí tendo permanecido até ao fim dos seus dias.

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA

Clique sobre as imagens para ampliar