ALFREDO  OLIVEIRA

FESTA DE HOMENAGEM

 

Esta reportagem, realizada em 24 de Abril de 1960, pelo jornal A COMARCA DE ARGANIL, cobriu a festa de homenagem a Alfredo Nunes dos Santos Oliveira, e traduz bem o sentimento generalizado de gratidão da população benfeitense para com o Presidente de Junta de Freguesia. Nela, porém, não é referido, e convém salientar, o extraordinário clima de festa e o entusiasmo crescente que os benfeitenses viveram, dentro e fora do país, durante os 4 meses que antecederam a data da homenagem, em que toda a gente queria oferecer o seu pequeno donativo para a compra das placas toponímicas, sabendo que o seu nome iria constar num álbum de agradecimento público a ser entregue ao homenageado no dia da festa. Excelente ideia que interessou e movimentou centenas de pessoas em volta do projecto.

NA BENFEITA
foi anteontem homenageado o Presidente da Junta de Freguesia
Sr. Alfredo Nunes dos Santos Oliveira
dando o seu nome a uma rua daquela localidade e inaugurado o novo edifício escolar

Alfredo OliveiraComo A Comarca pré-noticiou, realizou-se anteontem, na pitoresca e progressiva povoação da Benfeita, deste concelho, a homenagem ao Sr. Alfredo Nunes dos Santos Oliveira, presidente da Junta daquela freguesia - homenagem justíssima e devida, pois aquele dedicado benfeitense desde há 26 anos que, à frente do referido organismo administrativo, vem dando um exemplo de trabalho e dedicação invulgares.

Assim o compreenderam os seus conterrâneos, que não quiseram deixar de lhe manifestar a sua gratidão, e a Câmara Municipal de Arganil, ao autorizar que a uma rua da Benfeita fosse dado o nome do Sr. Alfredo Oliveira.

A homenagem prestada, mais do que isso, foi a manifestação do reconhecimento de um povo por um homem a quem deve muito do contínuo progresso da sua linda terra. Honra, pois, tanto aos benfeitenses, pelos seus sentimentos de justiça e de gratidão, como ao Sr. Alfredo Oliveira, pela forma como se soube tornar credor da consagração prestada.

Aproveitando a oportunidade da deslocação de entidades oficiais à Benfeita, procedeu-se também à inauguração da nova escola daquela localidade. Edifício amplo, cheio de ar e luz, beijado pelo sol durante quase todo o dia, é, sem dúvida, cenário apropriado para a delicada função de formar espíritos ensinando as crianças que serão os homens de amanhã.

Constituiu também esta inauguração motivo de grande júbilo para os naturais da Benfeita, pois a centenária escola do Areal, onde se têm dado as aulas, de velhinha já não reúne as condições indispensáveis ao conveniente desempenho da missão para que foi criada.

Esteve, pois, o povo da Benfeita em festa - festa alegre e sentida com o coração. E A Comarca, que aos problemas daquela freguesia tem dedicado o melhor do seu interesse, a ela se foi associar muito generosamente.

Com a chegada das filarmónicas do Barril de Alva e de Côja,
começou a movimentar-se a povoação da Benfeita

Recepção às entidades oficiais

Logo pela manhã começaram a chegar à Benfeita várias pessoas das povoações que constituem a freguesia, que quiseram associar-se às manifestações de regozijo dos benfeitenses.

Às 10 horas e meia, deu entrada na povoação a filarmónica do Barril de Alva e pouco depois chegava também a de Côja, ambas tendo percorrido as principais ruas da Benfeita, executando lindas peças do seu repertório, concentrando-se depois junto à igreja paroquial da freguesia, onde se foi juntando o povo, para receber as entidades oficiais.

Cerca das 11 horas, chegava também junto à igreja o Sr. Coronel Dr. Álvaro Duarte da Silva Sanches, presidente da Câmara Municipal de Arganil, que representava o Sr. Governador Civil de Coimbra e que se fazia acompanhar de sua esposa, Sr.ª D. Arminda Sanches, presidente da Comissão Municipal de Assistência. Aguardavam S. Exas. os Srs. Dr. Mário Mathias, Alfredo Nunes dos Santos Oliveira, Padre Joaquim da Costa Loureiro, pároco da freguesia, António Gaspar Pimenta, presidente da direcção da Liga de Melhoramentos da Freguesia da Benfeita, e muito povo.

Enquanto se trocavam cumprimentos, fazia-se ouvir a filarmónica do Barril de Alva e no ar estralejavam foguetes.

Entretanto, iam chegando outros visitantes, entre os quais os Srs. Eduardo Jorge Rodrigues (Filho), vice-presidente do Município e sua esposa D. Maria do Nascimento Rodrigues Jorge; Mário Nogueira Gonçalves, director do Distrito Escolar de Coimbra, e o seu adjunto Zacarias Cadete; Francisco Pimenta Carvalho, chefe da secretaria da Câmara Municipal e esposa D. Celeste Pimenta Carvalho; Dr. António Luís Gonçalves; Francisco de Almeida Filipe, presidente da Junta de Freguesia de Côja; João Jorge, presidente da Junta de Freguesia da Cerdeira; etc., etc.

Missa em acção de graças

Pelas 11 horas e meia, na igreja paroquial da Benfeita, o pároco da freguesia celebrou missa em acção de graças pela saúde do Sr. Alfredo Oliveira e pelos 26 anos de permanência na Junta. Abrilhantou a missa a filarmónica de Côja e o templo estava repleto de fiéis.

Findo aquele acto religioso, organizou-se um cortejo em direcção à nova escola.

Inauguração do novo edifício escolar

Atravessada a povoação, com as filarmónicas tocando alternadamente, chegou o cortejo ao cimo do Outeiro, onde se procedeu à inauguração do novo edifício escolar.

À entrada da escola aguardava as entidades a professora local, Sr.ª D. Maria Edite Ribeiro Saraiva, com os seus alunos dispostos em 2 filas.

A porta do recinto estava vedada por uma fita encarnada, que o Sr. Presidente da Câmara cortou, por entre calorosos aplausos com uma tesoura que lhe foi apresentada pela menina Maria da Graça da Luz Simões, aluna da escola.

Nessa altura fez-se ouvir a filarmónica de Côja, que executou a Maria da Fonte.

Depois, o Sr. Coronel Silva Sanches içou a bandeira nacional na frontaria do edifício, ao som dos acordes da filarmónica do Barril.

Aberta a sala de aula, o Sr. Padre Joaquim da Costa Loureiro procedeu à bênção respectiva, após o que os presentes entraram, a apreciar a vasta sala, que mereceu os maiores elogios pelas excelentes condições que reúne.

Em frente à porta, na parede, ladeando um crucifixo, encontravam-se, cobertas com a bandeira nacional, as fotografias dos Srs. Presidentes da República e do Conselho, que foram descerradas, respectivamente, pela menina Maria Adelina Prata Simões e pelo menino Vítor Manuel Nunes Dias, alunos da escola, enquanto pela sala ecoava uma vibrante salva de palmas.

A Sr.ª D. Maria Edite Ribeiro Saraiva usou então da palavra, começando por dizer que «a inauguração de uma escola é sempre motivo de orgulho para um povo que aspira cada vez mais ao saber, mas é também um motivo de gratidão a um Governo que tão bem sabe compreender as necessidades do seu povo». Afirmou depois que «numa época em que o ensino está a tomar um incremento enorme, a criação de novas escolas é de uma importância capital, porque as escolas velhas não têm condições para comportar tão elevado número de crianças e não têm mesmo as condições indispensáveis para uma conveniente administração do ensino, que tem de acompanhar o progresso». Referiu-se às numerosas escolas que ultimamente se têm construído no nosso país, num esforço louvável por elevar o nível de cultura do povo português e rendeu homenagens a Salazar, «figura de insuperável prestígio mundial, que o bom povo da Benfeita já imortalizou numa simbólica torre a que deu o seu nome». Afirmou que a construção da nova escola da Benfeita é mais um passo em frente no ensino daquela freguesia, pois a centenária escola do Areal já não oferecia as condições exigidas para um bom rendimento escolar. Lembrando que a nova sala de aula já dificilmente comportará a população escolar da freguesia, pediu ao Sr. Director Escolar a criação naquela terra de mais uma escola, e a terminar testemunhou a sua admiração ao Sr. Mário Nogueira Gonçalves.

Uma calorosa salva de palmas sublinhou as palavras da professora da Benfeita, enquanto no ar estralejavam foguetes.

Inauguração da Rua Alfredo Nunes dos Santos Oliveira

Reorganizado o cortejo, todos se dirigiram para a Rua Alfredo Nunes dos Santos Oliveira, que vai da Capela de Nossa Senhora da Assunção até ao Largo do Areal.

Chegados ali, o Sr. Presidente da Câmara descerrou a placa que se encontrava coberta com a bandeira nacional à entrada da rua e na qual se lê «Rua Alfredo N. S. Oliveira». Na outra extremidade da rua, o Sr. Director Escolar descerrou nova placa com os mesmos dizeres.

O povo sublinhou o descerramento das duas placas com prolongadas salvas de palmas.

Sessão solene

Em seguida, as entidades oficiais e restantes convidados dirigiram-se à escola do Areal, onde teve lugar uma sessão solene presidida pelo Sr. Coronel Silva Sanches, ladeado pelos Srs. Mário Nogueira Gonçalves, D. Arminda Sanches, Alfredo Oliveira, Dr. Mário Mathias, D. Maria Edite Ribeiro Saraiva e António Gonçalves Matias.

Aberta a sessão, falou em primeiro lugar o Sr. Padre Joaquim da Costa Loureiro que, em nome do povo da Benfeita, saudou as entidades e todos os presentes. Dirigindo-se ao Sr. Coronel Silva Sanches, agradeceu tudo o que S. Ex.ª tem feito em prol daquela freguesia. Saudou-o na qualidade de representante do Sr. Governador Civil, afirmando que seria com grande alegria que o povo da Benfeita receberia o ilustre Chefe do Distrito, que se tornou credor da gratidão e do reconhecimento dos benfeitenses, especialmente pelas rápidas e decisivas providências tomadas para debelar a epidemia de gripe que ultimamente ali grassou. Porém, como os benfeitenses não tiveram o prazer de receber o Sr. Governador Civil, pediu ao Sr. Presidente do Município que transmitisse a S. Ex.ª o reconhecimento daquele povo. Agradeceu em seguida ao Sr. Director Escolar a sua presença naquele dia na Benfeita, enaltecendo as suas excelentes qualidades de homem de Bem e de funcionário distinto e zeloso. Dirigindo-se ainda ao Sr. Mário Nogueira Gonçalves, disse:
«Veio V. Ex.ª aqui inaugurar mais uma escola. A vós a devemos Sr. Director e estamos certos, pelo carinho e atenções que V. Ex.ª dedica à Benfeita, nos conseguirá também, a seu tempo, o mais que a Benfeita lhe pedir. Seja bem-vindo a esta terra, hoje e sempre, Sr. Director. Cada casa será para V. Ex.ª uma hospedaria, em cada peito tem um amigo».

Passando a referir-se à homenagem que se estava a prestar a Alfredo Oliveira, afirmou:
«A justiça desta homenagem está bem patente na adesão de mais de 500 pessoas para a festa e compra das placas que com o seu nome documentarão para a posteridade a rua que a Câmara houve por bem dedicar-lhe. Em compita simpática, a Liga de Melhoramentos da Freguesia da Benfeita quis franquear o total dispêndio com a sua aquisição, o que fez num gesto da mais leal e construtiva solidariedade. Está na presença de tantos e tantos que de tão longe e com tantos sacrifícios vieram até à Benfeita para louvar o seu Presidente e dizer-lhe: Obrigado pelo progresso com que dotaste a minha terra, pelos teus sacrifícios de 26 longos anos de insónias e canseiras a bem de todos nós; obrigado pela harmonia que tens sabido cultivar nesta terra de gente igual a qualquer outra, mas que, mercê dos teus conselhos criteriosos, amigos e actuais, tem vivido em paz e concórdia sem os solavancos da injustiça que cava ódios em vez de sanar rebeldias».

Recordou o saudoso Leonardo Gonçalves Mathias, de quem o Sr. Alfredo Oliveira foi companheiro e é lídimo continuador. Teceu merecidos elogios àquele saudoso benfeitense e aludiu aos princípios que soube incutir no espírito de seus ilustres filhos Srs. Dr. Mário Mathias e Embaixador Dr. Marcello Mathias, Ministro dos Negócios Estrangeiros, afirmando que S. Exas. sabem respeitar e cumprir a linha de conduta traçada por seu pai e lembrando que tal como para o seu progenitor, a Benfeita é para eles a menina dos seus olhos.

E a terminar, falou sobre a decisão do Tribunal de Haia, sobre o caso de Dadrá e Nagar Aveli, dizendo que fôra grande o regozijo dos benfeitenses pela vitória alcançada pelo nosso país.

O Sr. Coronel Silva Sanches, que falou seguidamente, declarou que era com imenso prazer e muita alegria que se encontrava na linda terra da Benfeita, em dia tão festivo, para se associar à homenagem, a todos os títulos justa, que aquela localidade prestava a um dos seus filhos mais devotados - o seu Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Alfredo Nunes dos Santos Oliveira. E fazia-o como Presidente da Câmara Municipal de Arganil e como representante do Sr. Governador Civil de Coimbra. E era-lhe muito grato associar-se àquela homenagem porque o Sr. Alfredo Oliveira, exercendo há mais de 26 anos o cargo de Presidente da Junta de Freguesia, bem merece os agradecimentos da Câmara, do Governo e do povo da Benfeita, pois muito dificilmente se encontram pessoas tão devotadas ao progresso de uma freguesia. Por isso, já a Câmara da sua presidência deliberara com muito gosto dar o seu nome a uma rua da Benfeita, para que o seu exemplo perdure através dos tempos na memória dos vindouros.

Salva de prata oferecida a Alfredo OliveiraReferindo-se a outros bons filhos da Benfeita, o Sr. Presidente da Câmara teve palavras de saudade para com a memória de Leonardo Gonçalves Mathias e rendeu homenagens aos seus ilustres filhos Dr. Marcello Mathias e Dr. Mário Mathias, felicitando a Benfeita por tão dedicados obreiros do seu progresso. Depois, o Sr. Coronel Silva Sanches agradeceu as palavras que lhe dirigiu e ao Sr. Governador Civil, o Sr. Padre Joaquim da Costa Loureiro, e enalteceu a sua obra em prol do bem espiritual e material daquela freguesia e em especial a sua acção durante a epidemia de gripe que grassou na Benfeita e terras limítrofes.

A encerrar o seu discurso, o Sr. Coronel Silva Sanches fez entrega, em nome da freguesia da Benfeita, ao Sr. Alfredo Oliveira, de uma pasta contendo os nomes de todas as pessoas que contribuíram para as despesas das placas que dão o nome daquele benfeitense a uma rua daquela terra e propôs o envio de um telegrama ao Sr. Ministro da Saúde e Assistência agradecendo as providências tomadas para debelar a epidemia da gripe.

Depois, o menino Fernando António Gonçalves Lourenço Monteiro entregou ao homenageado uma salva de prata, oferta da Comissão de Melhoramentos da Dreia.

Em seguida, levantou-se para falar o Sr. Alfredo Oliveira, que começou por dizer:

«Sinto-me muito comovido e, ao mesmo tempo, muito embaraçado!
Esta homenagem toca profundamente o meu coração porque, em verdade, a considero mais do que uma manifestação justificada pelo que tenho feito em prol da nossa freguesia, uma pública expressão de amizade para comigo de quantos me deram a alegria e honra de aqui vir e ainda de todos aqueles que, apesar de ausentes, connosco se encontram, em espírito, neste momento inesquecível da minha vida.
Por isso me sinto muito comovido!
Mas sinto-me, ao mesmo tempo, muito embaraçado, porque bem queria traduzir, em palavras simples mas suficientemente expressivas, os meus sentimentos de gratidão e reconheço que infelizmente o não saberia fazer.
Limitar-me-ei, por isso, a dizer a todos os que aqui estão e a quantos, por qualquer forma, comparticiparam nesta manifestação, um sincero e bem sentido: Muito obrigado!
Mas, na verdade, grandes e maravilhosas coisas de interesse público se fizeram na nossa freguesia, nos últimos trinta anos!
Desde a abertura, difícil, demorada e trabalhosa, da nossa estrada, que foi a chave de ouro de toda a obra realizada, até ao edifício escolar, que acaba de ser inaugurado.
Abastecimento de águas a diversas povoações, outras estradas, pontões e pontes, cemitérios, reparações importantes na igreja e em várias capelas, calçadas e alcatroamentos, rede telefónica estendida a toda a freguesia e a algumas povoações vizinhas, iluminação eléctrica e outros, muitos outros melhoramentos, que o valor destes que citei podem obscurecer, mas a que não tiram qualquer parcela da sua importância local.
Obra regionalista que colocou a nossa freguesia entre as mais destacadamente progressivas do Concelho de Arganil, e pode sofrer favorável confronto com quaisquer outras da nossa região, começou, na verdade, antes da minha entrada, há vinte e seis anos, para a presidência da Junta de Freguesia.
Nasceu quando todos os benfeitenses, há mais de trinta anos, pondo de parte quaisquer divergências, se uniram, como um só homem, em volta da inesquecível figura do nosso saudoso conterrâneo Leonardo Gonçalves Mathias, e este assumiu, com a sua fé e dedicação maravilhosa, a sua competência inexcedível e o seu prestígio incomparável, a chefia desse movimento, de verdadeiro amor bairrista, que ainda hoje segue, triunfante, e não parará enquanto houver benfeitenses dignos de tal nome e a união de todos se mantiver perfeita como até aqui».

Continuando no uso da palavra, o Sr. Alfredo Oliveira prestou homenagem a Leonardo Gonçalves Mathias, frisando que com o seu exemplo aprendera a trabalhar em prol daquela terra e disse depois que o surto de progresso que se tem notado na Benfeita não teria sido possível se não fosse a presença de Salazar à frente dos destinos da Nação, salientando quanto o país deve ao notável estadista.
Terminou afirmando que só a generosa amizade de todos quantos nela participaram pode justificar tão cativante manifestação e apresentou mais uma vez os seus melhores e mais comovidos agradecimentos aos presentes e aos promotores da homenagem.

No final do seu discurso, o Sr. Alfredo Oliveira foi cumprimentado por numerosas pessoas.

Almoço

O Dr. Mário Mathias usando da palavraApós a sessão solene foi servido no Largo do Areal, às entidades oficiais, a todos os convidados e outras pessoas um abundante e bem confeccionado almoço durante o qual falaram os Srs. António Gonçalves Matias, em nome do povo da Relva Velha; José Gonçalves Matias (Filho), em nome de Luadas; António Lourenço Monteiro, pela Comissão de Melhoramentos da Dreia; Francisco Pimenta de Carvalho; Mário Nogueira Gonçalves; António Pereira, em nome da Comissão de Melhoramentos do Sardal; António Nunes dos Santos (Alípio), por Pardieiros; e José Duarte da Costa Nicolau, por Pai das Donas.

Por fim, usou da palavra o Sr. Dr. Mário Mathias, começando por declarar que devia a Alfredo Oliveira, naquele dia justamente homenageado, palavras de reconhecimento pela sua colaboração em prol da Benfeita, pois ele foi o maior e mais leal colaborador do seu saudoso pai.
Depois, o Sr. Dr. Mário Mathias informou que o seu irmão, Sr. Dr. Marcello Mathias, impossibilitado de comparecer, lhe comunicara que o Sr. Ministro da Saúde e Assistência ia contribuir com importância superior a 30 mil escudos para o apetrechamento do Posto Médico da Freguesia da Benfeita e o Ministério das Obras Públicas vai subsidiar o importante melhoramento que é a ampliação do cemitério.
Referiu-se depois aos sentimentos de bairrismo que os benfeitenses manifestam em qualquer parte onde se encontrem, quer no país, quer no estrangeiro, e fez alusão ao progresso que há trinta anos se tem notado e há-de perdurar no nosso país.
Falou da história das mais antigas povoações da freguesia e agradeceu a oferta da Comissão de Melhoramentos do Sardal, terra de sua mãe, de um álbum de fotografias, que lhe havia sido entregue na parte da manhã, pelos Srs. António Pereira e Armando Gonçalves Pereira.
Fez referência à imprensa de Arganil, ali representada, frisando a notável acção desta imprensa em prol dos melhoramentos do concelho e da região, e afirmou que, sem a imprensa de Arganil, o regionalismo não tomaria o incremento que atingiu. Disse da sua simpatia para com A Comarca de Arganil, jornal onde colabora desde os 14 anos, e a findar agradeceu a todos quantos recordaram a memória de seus pais.

Terminara a simpática festa e a multidão começou a dispersar, satisfeita com a jornada que vivera, bem demonstrativa do bairrismo e do espírito de gratidão dos benfeitenses para com quem durante 26 anos deu o melhor dos seus esforços em prol do engrandecimento daquela risonha e progressiva freguesia deste concelho.

A COMARCA DE ARGANIL
26/04/1960

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