O  CHAFARIZ  DA  PRAÇA

A INAUGURAÇÃO DO CHAFARIZ DA PRAÇA SIMÕES DIAS

Por considerarmos este tema interessante, por nos revelar algumas das principais preocupações dos nossos avós, na época, transcrevemos para aqui a reportagem feita pelo jornal "A Comarca de Arganil" a este acontecimento.

Edição nº 1771, de 14/08/1931, pág.6

União de Melhoramentos da Freguesia da Benfeita

CONVOCAÇÃO

Devendo a Benfeita receber, no próximo domingo 16 de Agosto, corrente, a honra da visita de S.Ex.ª o Sr. Administrador do Concelho e Presidente da Câmara Municipal que, na sua cruzada de engrandecimento dos povos do concelho, mais uma vez vem ao encontro das necessidades dos desta freguesia, fica por este meio convocado todo o povo da freguesia para, em Assembleia Geral da União, no referido dia, pelas 9 horas e meia, se tratar com S.Ex.ª do magno assunto da estrada e outros melhoramentos.

Atendendo à importância da reunião, pede-se a comparência de todos.

Benfeita, 9 de Agosto de 1931

A Direcção: Leonardo Gonçalves Matias, António Quaresma, João Ferreira da Costa.

Edição nº 1771, de 14/08/1931, pág.7

Dreia (Benfeita), 11

A Benfeita vai estar três dias em festa. Em 14 e 15 realizam-se os grandes festejos em louvor de Nossa Senhora d'Assunção e, no dia 16, terá lugar a inauguração do novo chafariz, construído por iniciativa particular e com o auxílio da Câmara, na Praça Simões Dias, onde também se construiu um lindo parque.
Aquele recinto vai também, ao que nos consta, ser iluminado com candeeiros de gás.
À inauguração do novo chafariz virá assistir uma filarmónica, particularmente contratada para isso.
Consta-nos que virá também assistir à cerimónia da inauguração o ilustre presidente da Câmara, Sr. Capitão António Pedro Fernandes.
Com este novo chafariz fica a Benfeita bem servida de água potável. As suas ruas estão bem reparadas e têm já alguns candeeiros de iluminação pública. Falta-lhe a estrada, mas pelo rumo que as coisas vão tomando, estamos convencidos de que ela em breve será um facto. A Benfeita deve agora empenhar-se para a aquisição de uma cabine telefónica.
Para se avaliar da densidade da sua população, basta dizer-se que tem já hoje 16 casas de comércio.

J. Gama

JUNTA DE FREGUESIA DE BENFEITA

Acta da sessão extraordinária de 16 de Agosto de 1931

Aos dezasseis dias do mês de Agosto do ano de mil e novecentos e trinta e um, na casa das sessões desta Junta de Freguesia por dez horas e meia e perante muito povo se reuniu em sessão extraordinária esta Junta de Freguesia para proceder aos preliminares da recepção ao Senhor Presidente da Câmara que vem assistir às festas da inauguração e tratar doutros assuntos mencionados na acta anterior. Chegado o referido Presidente procedeu-se à primeira parte do programa referido na acta da sessão anterior e em seguida esta junta, muito povo, presidente referido e representantes da imprensa nos dirigimos à Praça Simões Dias em que se procedeu à inauguração do chafariz. Aqui falou por esta junta o respectivo Presidente que fez a história do melhoramento que se estava a inaugurar exalçando a acção da Câmara contribuindo pouco mais ou menos, com cinquenta por cento do custo do melhoramento, o povo da freguesia por ter contribuído por subscrição com o restante, a anterior junta de freguesia por ter levado quase à conclusão o dito melhoramento, e António Rosa, Maria Lutegarda e Emília do Sacramento, o primeiro destes por ter auxiliado gratuitamente a obra até ao fim, dirigindo o pessoal; a segunda, por não ter oposto dificuldades à exploração da água no seu terreno e a última por ter oferecido o terreno onde se encontra construído o chafariz. Falou em seguida o referido Senhor Presidente da Câmara elogiando a acção do povo subscritor e agradecendo as referências da Junta acerca da sua administração neste concelho, felicitando a junta e o povo por ter conseguido este importante melhoramento. Tendo-se em seguida cumprido as restantes partes do programa traçado na sessão da acta anterior, foi lavrado este acto...

João Ferreira da Costa
António Nunes da Costa
Artur Dias

Edição nº 1775, de 28/08/1931, pág.5

A freguesia da Benfeita é visitada pelo Sr. Presidente da Câmara e Administrador do Concelho

Inauguração festiva de um chafariz. Importante reunião para tratar da construção da aspiração máxima daquela freguesia: a estrada

Foi no penúltimo domingo, dia 16 do corrente, à freguesia da Benfeita, o Sr. Capitão António Pedro Fernandes, presidente de Comissão Administrativa Municipal e administrador deste concelho.

A sua visita, feita a convite da respectiva Junta de Freguesia, teve por fim: inaugurar o chafariz ali construído em 1929 pelo referido corpo administrativo, auxiliado pelo povo e pela câmara; conferenciar com a Comissão de Melhoramentos da Freguesia sobre a estrada a construir, em breve, da Portelinha à Benfeita; assistir à entrega à escola masculina de um estandarte e de bibes e bonés para os alunos das duas escolas, artigos que uma comissão de senhoras, por iniciativa do Sr. António Nunes Leitão, adquiriu em Lisboa com o produto de donativos angariados naquela cidade; inaugurar os melhoramentos ultimamente feitos na escola com a verba vinda do governo; e organizar a Comissão Política Paroquial da União Nacional.

Aquele dia foi, pois, de festa para a Freguesia da Benfeita, acorrendo à respectiva sede inúmeras pessoas de todas as povoações, desejosas de tomar parte naqueles actos festivos.

A recepção

O Sr. Presidente da Câmara era aguardado à Ponte Fundeira pelos membros da comissão da União dos Interesses da Benfeita, junta de freguesia e muito povo.

A filarmónica Pátria Nova, de Côja, que foi abrilhantar os actos solenes ali efectuados, achava-se também à Ponte Fundeira à chegada do Sr. Presidente da Câmara, irrompendo com um vibrante ordinário atrás do cortejo que em seguida se organizou, após os cumprimentos da praxe, em direcção à Escola Primária, onde foram dadas as boas-vindas a tão preclaro cavalheiro pelo presidente da Junta de Freguesia, o professor Sr. João Ferreira da Costa, que leu o seguinte discurso:

Sr. Presidente! - Está a Benfeita em festa para receber V.Ex.ª. Justa festa esta, em que se faz a consagração do presidente do município que mais se tem interessado pelo desenvolvimento dos povos do seu concelho.

Viajando através das serras, no fito único de averiguar as necessidades dos povos, para fazer justiça aos esquecidos pelas anteriores vereações, só este facto coloca V.Ex.ª num plano digno de todas as admirações.

Um dos povos esquecidos era a Benfeita, e logo V.Ex.ª tomou à sua conta salvá-la de tão injusto esquecimento.

Injusto esquecimento, afirmo, porque se há povo que mais tenha contribuído para enriquecer intelectualmente o país, a Benfeita é um deles. A advocacia, a magistratura e as letras pátrias, falam de grandes figuras que aqui nasceram, e a própria sede do concelho, numa placa, no coração da vila perpetua a memória de Simões Dias.

No campo económico, também a Benfeita ombreia com qualquer das suas congéneres do concelho, e, no campo fiscal é uma das freguesias que mais contribui para os réditos do tesouro.

Ao dever de estimular tantas energias de espiritualidade e labor, reveladas na Benfeita, por intermédio de melhoramentos, faltaram todos os governos e vereações.

E assim a Benfeita, socialmente importante por conter em si os gérmenes de grandes valores sociais tem permanecido num criminoso atraso, como se tivesse sido ferida daquela maldição de ser tão grande na essência, que os fados receiem o predomínio.

Foi necessário ser implantada a ordem e a moralidade na governação do país, e surgir V.Ex.ª para a Benfeita ser atendida no seu grito de socorro por melhoramentos tão instantes e triviais, que nem já faltam nas terriolas da própria África.

E assim, mercê da bondade e do espírito de justiça de V.Ex.ª, em pouco tempo foi dado à Benfeita por uma só vereação e por um só governo, o que gerações de vereações e de governos se comprazeram em recusas, ou por comodismo ou por maldade: um chafariz e uma escola em condições.

Intoxicava-se a populosa Benfeita nas águas lodosas e imundas duma ribeira, e as suas crianças iam acabar de morrer entre as paredes dum casebre sem ar nem luz, a que só por ironia se podia chamar escola.

Um dia, na sua romagem inquiridora pelo concelho, veio V.Ex.ª à Benfeita. Necessidades mais instantes desta terra, quais são? Entre muitas, a primeira: um chafariz de água potável. Vamos a ele, foi a expressão de V.Ex.ª. Não se acreditou. O cepticismo tinha pegado raízes profundas nas esperanças deste pobre povo. Mas o poder dinamizante de V.Ex.ª, conseguindo dotações camarárias, promovendo subscrições, e a acção da imprensa, aqui tão dignamente representada, fez dum sonho de muitos anos uma realidade.

Aqui jazia a escola reclamando a conclusão das suas obras. V.Ex.ª prometeu. O cepticismo, porém, não deixou criar esperanças e, quando já ninguém pensava no prometido, eis que, de surpresa, o "Diário do Governo" nos atira com três contos. A pancada foi brusca, e o cepticismo então morreu.

Hoje, Sr. Presidente, a Benfeita é a mais esperançada das terras de todo o mundo. Porque muito necessita, aprendeu a crença na justiça de V.Ex.ª.

Uma prova: Esse outro sonho, a estrada da Benfeita, anda na sua mente como coisa realizada.

Fenómeno invulgar este, de um povo passar do extremo pessimismo ao polo oposto do extremo optimismo, só podia ser produzido por um poder sugestionante como o de V.Ex.ª.

Depois, o poder dinamizante e contagioso de V.Ex.ª, despertando por toda a parte a iniciativa particular, também bateu à porta da escola da Benfeita. Um cidadão, que nos honramos de ter entre nós, António Nunes Leitão, seguindo o movimento geral das iniciativas, depois de ter reparado a escola e oferecido uma bandeira, ofereceu há pouco os objectos que ali se encontram: um estandarte, um relógio, boinas e bonés para as crianças de ambas as escolas, o pano para bibes e respectivo feitio.

Acção digna de louvor, daqui muito lhe agradeço em nome dos pequeninos.

Políticos inexperientes da psicologia da Benfeita, tem querido afirmar que a Benfeita não se entende. Terra de ingratidões e permanentes discórdias, não merece auxílio de ninguém.

Visão de longe de políticos inexperientes, é exactamente o contrário. Acostumados a lidar com "carneiros de Panúrgio", esses políticos nas compreendem a independência moral dum povo adiantado no espírito crítico, e que não pode sujeitar-se, à menor coisa, a servir de capacho de ninguém.

A tão mentirosa afirmação, conhecendo de perto a verdadeira índole deste povo, oponho o meu protesto mais formal, como representante, que actualmente sou, do povo desta freguesia.

Na Benfeita não há lutas mesquinhas e baixas de egoísmo, e, o que o pode poder parecer, é a intelectualidade deste povo, que se compraz em discutir no campo das ideias. Propendendo intensamente para a civilização, nunca, como aqui, uma ofensa é tão rapidamente esquecida.

A Benfeita incompreendida, bem observada, está naquele período lisonjeiro de formação mental, estudado pelos filósofos, em que o pensamento da humanidade passa do estado amorfo às manifestações mais heterogéneas, para passar a um estado culminante de espiritual civilização.

A concorrer para tanto, está o carácter aventureiro e dominador da sua população, que vai buscar aos grandes centros o intenso brilho e o caudal de ideias com que tanto confunde os seus detractores.

A destruir ineptas afirmações e a comprovar que este povo sabe pensar e prestar homenagem apenas aos verdadeiros valores, está o facto de V.Ex.ª ser recebido como está sendo, com júbilo e alegria em todas as almas com vivo reconhecimento pelo que a Benfeita tem recebido e está para receber de V.Ex.ª.

Colaboram nas festas da Benfeita em honra de V.Ex.ª, cidadãos de todas as antigas nuances políticas!

Maravilhoso sintoma de estar sendo compreendida a benéfica acção dos homens que actualmente regem os destinos do país. O povo aí está, convicto de que agora se trata dos interesses da Benfeita e dos superiores destinos da Pátria.

Terminando, Sr. Presidente, em meu nome pessoal e no do povo desta freguesia, honro-me de apresentar a V.Ex.ª os cumprimentos mais sinceros de boas-vindas com um vivo reconhecimento e gratidão por tudo quanto a Benfeita é devedora a V.Ex.ª.

Ao mesmo tempo, Sr. Capitão, Sr. Administrador do Concelho, Sr. Presidente da Câmara Municipal, Sr. Presidente da Junta Escolar, convido V.Ex.ª a dar-nos a suprema honra de presidir a esta sessão.

Retribuindo as saudações que lhe eram dirigidas, falou a seguir o Sr. Capitão Fernandes.

Diz achar-se sensibilizado com a carinhosa recepção que lhe foi feita, muito superior à sua expectativa e declarou que transmitiria as suas agradáveis impressões à Comissão Administrativa a que tem a honra de presidir, visto as homenagens que lhe são tributadas pertencerem também aos seus colegas na vereação, nos quais tem encontrado sempre a mais decidida boa-vontade em cooperarem com ele no engrandecimento do concelho.

Fala das visitas que tem feito a várias terras do concelho e afirma que só o interesse de conhecer as suas necessidades e aspirações e procurar atendê-las na medida do possível, tem sido o seu móbil.

Não procura servir clientelas políticas - diz - mas unicamente prestar justiça aos povos a quem tem sido negada.

Refere-se à primeira visita que fez à Benfeita e declara-se satisfeito com o resultado dela colhido. Reconheceu a grande necessidade que aquele povo tinha de um chafariz e não teve a menor dúvida em considerar esse melhoramento como a sua primeira aspiração; e, assim, facilmente conseguiu dotá-lo com uma verba.

E logo a vincar:
- O auxílio da câmara não foi um favor: foi um acto de inteira e merecida justiça.

Presta as suas homenagens à Comissão Angariadora de Donativos e saúda o povo da Benfeita por ter cumprido bizarramente o seu dever, contribuindo monetariamente e com esforço pessoal para aquela obra. Deseja salientar um nome - o do Sr. António Rosa, que trabalhou com a maior abnegação, fazendo desaparecer o pessimismo de que muitos seus conterrâneos se achavam possuídos. Provou assim, esse homem, que só da união de todos os esforços, se pode fazer alguma coisa em prol da colectividade, em benefício de qualquer terra.

Diz que era sua tenção fazer estas considerações aquando do acto da inauguração do chafariz, mas não sente menos prazer em as fazer já ali, prestando justiça a quem a merece, e salientar mais uma vez que os melhoramentos só se podem conseguir de uma acção conjunta, para o que entendia que deveria haver, em todas as freguesias, associações que com uma quotização mensal amealhassem um pecúlio com que iriam acorrendo às obras de maior urgência. Apresenta como exemplo o Santuário do Mont'Alto, cujas obras ali realizadas muito honram a comissão que as promoveu e que angariou valiosíssimos donativos com que pôde levar ali a água que transformará em uma estância mais aprazível do que já é, aquele encantador local.

Tendo conhecimento da acção desenvolvida em favor das escolas da Benfeita pelo Sr. António Nunes Leitão, o orador declara sentir o maior prazer em lhe render as suas mais efusivas homenagens.

E a terminar, fala mais uma vez dos motivos que determinaram a sua visita e salienta que ela não tem fins políticos. Não fará, portanto - diz - declarações políticas para não empanar o brilho das festas a que vem assistir.

- Não quero que digam - afirma - que vim aqui tratar da estrada porque se aproximam as eleições. Isso nunca!

O discurso do Sr. Presidente da Câmara foi coroado por uma salva de palmas e muitos apoiados.

A inauguração do chafariz

Vai-se proceder, a seguir, à inauguração do chafariz.

O cortejo segue, depois, para a Praça de Simões Dias, que vamos encontrar ornamentada com arcos e cordões de verdura. A filarmónica toca uma vibrante marcha e o povo da localidade acha-se ali reunido em massa.

O chafariz levantado naquela praça está vistosamente engalanado, coberto com a bandeira nacional e ladeado pelas gentis meninas Adelaide Rosa e Maria Celeste Rosa, graciosamente vestidas de grená, tendo a última, a convite do Sr. Presidente da Câmara, descerrado a bandeira.

Ao ar sobem girândolas de foguetes e a filarmónica toca um passo dobrado. O Sr. Capitão Fernandes bebe à saúde do povo da Benfeita, que retribui com vivas àquela autoridade administrativa.

O entusiasmo é delirante!

O Sr. Professor João Ferreira da Costa adianta-se e fala em nome do povo da freguesia, como Presidente da Junta.

Diz que a Benfeita não possuía uma fonte de água de nascente, bebendo as enxurradas da ribeira, com os gérmenes perigosos para a saúde.

A seguir historia as fases passadas para se chegar a um resultado feliz que fez com que se inaugurasse agora aquela obra tão importante. E dirigindo-se ao Sr. Presidente da Câmara, diz:

- V.Ex.ª, Sr. Presidente, um dia encetou a mais gloriosa campanha contra as águas de chafurdo e contra as que, como na Benfeita, eram bebidas duma débil ribeira, sem condições nunca de beber boa água.

"A Benfeita teve então o socorro amigo de V.Ex.ª, estimulando-a a pensar no seu chafariz, que dotou desde logo com uma verba.

"Seguiu-se a acção da imprensa, aqui tão dignamente representada, a favor do melhoramento e duma subscrição que viesse ao encontro da iniciativa de V.Ex.ª.

"A acção da imprensa foi importante, e a subscrição ia produzindo os melhores resultados.

"Um momento, porém, houve, em que pareceu que o desânimo invadia a subscrição, por ser obra superior aos recursos do povo subscritor.

"Mas V.Ex.ª, sabendo-o, mais uma vez veio à Benfeita, de propósito, para encorajar e dotar a obra com segunda verba.

"Por seu turno, a acção da imprensa cada vez mais se conjugava para não haver desfalecimentos.

"Reanimou-se a subscrição, mas, exaustos finalmente os recursos, ainda foi V.Ex.ª que, com nova verba, veio tornar possível e construção do chafariz.

"De maneira que - afirma com veemência - a obra que hoje se inaugura deve-se primacialmente a V.Ex.ª, Sr. Presidente, e em seguida aos esforços da imprensa e ao auxílio do povo.

Salienta em seguida, também, outras entidades que concorreram para a realização daquela velha aspiração: a antiga junta de freguesia, a respectiva comissão, especialmente António Rosa, o incansável trabalhador, o braço direito da obra, o bairrista de sacrifício, de quem se pode dizer que onde está um melhoramento para fazer, aí está ele para dirigir; Maria Lutegarda, a dona do terreno origem da fonte, pelas facilidades que concedeu, não criando dificuldades à exploração das águas; e D. Maria José Correia de Frias, pela cedência do terreno onde foi construído o chafariz.

Por último, em seu nome pessoal como professor, por ver que alguma coisa se vai adiantando no campo da higiene, e em nome da junta e do povo desta freguesia, saúda a Câmara e a Imprensa e todos quantos concorreram para aquela obra, indo para todos eles o seu mais vivo reconhecimento, a sua mais viva gratidão.

Termina por dirigir as suas melhores felicitações ao povo, por ter conseguido tão importante melhoramento.

O Sr. Presidente da Câmara fala a seguir, declarando ser dos actos mais agradáveis da sua vida, ir inaugurar oficialmente uma fonte de água pura.

A Benfeita nada lhe deve, afirma, porque os melhoramentos resultam sempre da união de todos.

Referindo-se ao melhoramento que se está inaugurando, diz que ainda houve cépticos que não acreditaram em que ele se fizesse; mas a realidade aí esta à vista.

Devemos chamar os pessimistas - diz - e procurar interessá-los em obras futuras, pois a cooperação de todos é indispensável para se fazer obra proveitosa e útil. E de como assim é - salienta - é ver-se esta obra, que se deve ao povo, aliada aos esforços das entidades que a orientaram.

Saúda a imprensa e felicita-a por ter colaborado também naquela obra, do que se pode orgulhar.

E salienta mais uma vez os esforços do Sr. António Rosa, abraçando nele o povo da Benfeita.

Estava terminado o acto da inauguração do novo chafariz.

Grande reunião pró-estrada

Mais tarde, teve lugar na escola a anunciada reunião para se tratar da grande e imperiosa necessidade da Benfeita - a sua estrada.

O Sr. Leonardo Gonçalves Matias, presidente da Comissão de Melhoramentos, convida para presidir à reunião o Sr. Capitão Fernandes. Esta autoridade, por sua vez, convidou para secretários os Srs. Padre António Quaresma e Leonardo Gonçalves Matias.

Usou em primeiro lugar da palavra o Sr. Presidente da Câmara, que historiou as "démarches" que tem feito para se levar a cabo aquele melhoramento da maior importância para o progresso da Benfeita.

Diz que a Câmara pedira a construção da estrada directa de Arganil à Benfeita, para assim ligar aquela freguesia à sede do concelho, e por haver já um estudo feito nesse sentido, partindo da estrada que terminava no Mosteiro.

Soube, depois, que os Srs. Conselheiro Dr. Albino de Figueiredo e Padre António Quaresma, e bem assim a actual Comissão de Melhoramentos, se interessavam para que fosse construída, em primeiro lugar, a estrada da Benfeita para a Portelinha. Diz que um mal-entendido fizera espalhar o boato de que ele se opunha a esta estrada, afirmando o orador tal não ser verdade, pois apenas o move satisfazer aos desejos e aspirações dos povos.

Em suma - diz - todos trabalhávamos para o mesmo objectivo: dotar a Benfeita com uma fácil via de comunicação a que tem incontestável direito. E diz repelir nesta altura qualquer suspeição que alguém lhe possa atirar, de que ele agora concorde, com fins eleitorais ou políticos.

Para confirmar as suas afirmações - de que trabalha de harmonia com os desejos do povo daquela freguesia - o Sr. Capitão Fernandes apresenta uma carta que recebeu do Sr. Dr. Albino de Figueiredo, em que lhe agradece um oficio enviado pela Câmara, elucidando que havia conferenciado com o presidente da Junta Autónoma das Estradas, que lhe declarou estar disposto a auxiliar em tudo o que pudesse para benefício dos povos interessados.

Por aqui vêem - declara - que é falsa a atoarda espalhada, ficando deitados por terra os fins políticos que alguém se lembrasse de inventar.

Continuando, diz ter agora recebido do governo civil um mapa de estradas, para pôr em reclamação. Lá, vem marcada a estrada Arganil-Benfeita-Cerdeira. Não vê, porém, vantagens na ligação com a Cerdeira - e antes se tornará mais dispendiosa do que pela Portelinha. Frisa que, para se conseguir uma mais rápida dotação, deverá ir-se pelo lado mais económico. Declara que está sempre pronto a recuar, quando reconheça que errou, e mais uma vez afirma que em questões de interesses dos povos, não deseja teimar.

Vê com prazer que ao lado de tão instante necessidade, se encontram os maiores valores da região interessada - como sejam o Sr. Dr. Albino, Dr. Caldeira, União Nacional, Comissão de Melhoramentos, Junta de Freguesia e povo.

Fala a seguir o Sr. Padre António Quaresma, pároco da freguesia.

Saúda o Sr. Presidente da Câmara e passa a descrever o que sabe sobre o interesse que tem tomado pelo melhoramento que se discute, o Sr. Dr. Albino da Figueiredo. Exibe várias cartas recebidas deste senhor, mas para não roubar tempo lê apenas uma em que S. Ex.ª se regozija por acordarem as energias que jaziam adormecidas, para levarem por diante a aspiração máxima daqueles povos e faz história do que nos tempos da Monarquia se empenhou por ela: Diz ter sido o autor do projecto, que falhou por estar longe. A morte de D. Carlos, dando lugar a entrar gente nova para o governo, também o impediram de conseguir o que tanto desejava. Nesse tempo, chegou a ter esperanças da obra se fazer, tanto mais que parece que havia em 1908 uns herdeiros do Sarzedo que ofereciam gratuitamente o terreno por onde a estrada havia de passar. No Parlamento muitas vezes foi debatido o assunto, mas não se logrou ser atendido. Mas ainda bem que a governo da Ditadura pretende servir os povos - o que leva a crer que agora se chegará a bom fim e oxalá assim seja.

Prosseguindo, o Sr. Padre Quaresma é de opinião que a estrada se faça de ligação para Côja, porque é dali que a freguesia recebe os materiais de construção, as mercadorias, o médico, etc. É pois - diz - esta ligação a mais fácil e económica e de mais urgente necessidade, da qual se deve agora tratar, deixando as outras para mais tarde.

O lanço a que se deve meter ombros é o da Benfeita à Portelinha, ao qual o povo deverá dar o seu concurso. Já em 1908 esse lanço fôra dotado pelo governo, mas não chegou a ser aplicada a respectiva verba. Que não veja a Freguesia da Cerdeira nenhuma má vontade em a estrada não partir dali.

Põe em foco o trabalho e a dedicação do Sr. Dr. Albino pelo melhoramento em questão, frisando que pode ser apontado como exemplo aos novos. Propõe, por isso, um voto de louvor e agradecimento a S. Ex.ª pela sua cooperação nesta grande obra, o que é aprovado por unanimidade.

Volta a usar da palavra o Sr. Capitão Fernandes, que, sem prejuízo da estrada da Portelinha, diz que a Câmara se irá interessar também pela ligação pela Esculca, cuja estrada espera seja considerada municipal.

A estrada da Portelinha vai, pois, ser feita pelo Estado, mas será começada por iniciativa particular. Está esperançado em que o Estado a dote com 25% para terraplanagem e 50% para obras d'arte. A Câmara - diz - irá dar conhecimento às estâncias superiores, da disposição em que se encontra o povo da Benfeita, de auxiliar esta obra, e indicará também as datas em que ela foi dotada, para mais facilmente saberem, no alto, do lanço de que se trata.

O subsídio que venha a ser concedido, será liquidado à medida que fôr sendo feito cada quilómetro.

Afirmou ainda o orador que a Benfeita pode contar com a boa vontade da Câmara, que está pronta a auxiliar no que lhe fôr possível esta iniciativa, apesar de se achar sobrecarregada presentemente com a Casa dos Magistrados.

Logo que este encargo desapareça - continua - julga chegar o momento de se olhar com mais carinho ainda pelas povoações rurais, dotando-as com os melhoramentos necessários, principalmente acabar com as fontes de chafurdo.

Não faz prometimentos conclui - a não ser o da sua boa vontade.

A seguir fala o Sr. Leonardo Gonçalves Matias, que pede algumas informações sobre o mapa de estradas que o Sr. Presidente da Câmara apresentou.

Trocam-se várias explicações e o Sr. Capitão Fernandes mais uma vez afirma que se encontra ao lado da estrada Portelinha-Benfeita.

Instalação da Comissão da União Nacional

Seguidamente, o Sr. Presidente da Câmara fez a instalação da Comissão Paroquial da União Nacional, que é assim constituída: António Quaresma, presidente; Francisco Peres, vice-presidente; José Bernardo Quaresma, 1º secretário; Augusto Filipe, 2º secretário; José de Oliveira Branco, José Gonçalves de Moura e António Gonçalves Matias, vogais.

Usando da palavra, o Sr. Capitão Fernandes cumprimentou os membros daquela comissão e disse algumas palavras sobre os fins daquele organismo.

Declara que a União Nacional é um agrupamento que continuará na normalidade constitucional o programa do 28 de Maio, nele cabendo todos os homens de bem.

Os da frente única, da Aliança Republicano-Socialista - diz - tiraram para si o exclusivo do republicanismo. A historia repete-se: em 1912-1913, o partido democrático, que estava no poder, só reconhecia como verdadeiros republicanos os seus filiados.

Antes do 28 de Maio - continua - todos os políticos procuraram arrastar o exército para a revolução, com o fito único de cada um engrandecer o seu partido. Isto foi dito pelo professor Lopes de Oliveira, numa reunião realizada no Centro Republicano Dr. António José d'Almeida.

Refere-se ao facto de estarem altas as contribuições, mas frisa que, se elas não têm baixado, é devido às circunstâncias da crise mundial. Fala da obra do governo, afirmando que de há 3 anos para cá foram já pagos 1.493.486 contos; da dívida flutuante interna; a dívida flutuante externa orçava por 100.000 contos e foi completamente extinta; reembolsaram-se já mais de 450.000 contos; a taxa que era de 10% baixou para 5,4%; o último "déficit" orçamental fôra de 348.156 contos e desde que o Dr. Salazar sobraça a pasta das Finanças o orçamento tem fechado sempre com saldo positivo.

Uma frase:
- Diz-se que não há liberdade; mas creio que ninguém terá reconhecido diferença entre a situação actual e a dos partidos.

Aludindo às eleições, diz que os puritanos da democracia, apenas nelas se falou, trataram logo de começar a pedir votos, valendo-se de tudo e de todos, cometendo assim o maior crime contra os princípios de que se dizem detentores: violentar o pensamento do eleitor.

E a findar, diz:
- Precisamos precavermo-nos contra as consequências futuras, pois temos o exemplo à porta; para as evitarmos, só temos um meio: integrarmo-nos na Ordem.

Levanta vivas à Pátria, à União Nacional e à Republica, que são vivamente correspondidos.

Um almoço de homenagem. A retirada

Pelas 15 horas foi servido um almoço de homenagem ao Sr. Presidente da Câmara, a que assistiram as pessoas mais gradas da freguesia, em casa da Sr.ª D. Maria do Rosário Dias, oferecido pelos Srs. João Ferreira da Costa, Guilherme da Fonseca, Padre António Quaresma e António Nunes Leitão.

Durante o almoço fez-se ouvir a filarmónica Pátria Nova, sendo queimados muito foguetes. Pelas 18 horas retirava o Presidente da Câmara, acompanhado até à saída da localidade pela filarmónica, pelas comissões e muito povo, erguendo-se vivas à República, à Pátria, à Benfeita, à Câmara, etc.

O Sr. Presidente da Câmara, na despedida, mais uma vez agradeceu a forma cativante e fidalga como fôra recebido.

Necessidade de outros melhoramentos: o telefone e reparação de uma ponte

Durante a visita do Sr. Presidente da Câmara, abordou-se ali a necessidade de outros melhoramentos para o progresso e desenvolvimento da Benfeita.

O Sr. António Nunes Leitão solicitou da autoridade administrativa o seu patrocínio em favor da criação de uma cabine telefónica. O Sr. Capitão Fernandes garantiu que esse melhoramento seria um facto se a freguesia desse os postes de castanho necessários.

Foi ainda visitada a ponte do Cabo, que comunica com Santa Clara, aventando-se várias soluções para a sua reparação, de que tanto carece. Falou-se em ser construída em pedra ou com vigas de ferro, ficando, porém, o assunto pendente para ulterior resolução.

Outras notas

Como A Comarca já disse, foi por iniciativa do Sr. António Nunes Leitão, dilecto filho da Benfeita e residente em Lisboa, que uma comissão de senhoras, constituída por D. Susana Amália Leitão, Maria Adelaide Ribeiro Costa, Laura Antunes, Maria do Rosário Dias, Guilhermina Branco Simões e Olívia Costa, ofereceram vários objectos às escolas da Benfeita.

A oferta constou de: um estandarte em seda, com letras bordadas, para a escola masculina; 296,5m de riscado para bibes às crianças de ambos os sexos; 119 boinas e bonés para as mesmas crianças; e 1 relógio de parede para a escola masculina.

Em 1928 também uma comissão presidida pelo mesmo senhor e de que faziam parte os Srs. José Dinis, Albano Antunes Inácio e José Duarte, promoveu uma récita na capital, cujo produto serviu para serem feitos diversos melhoramentos na escola masculina.

Essas despesas importaram na quantia de 1.300$00, tendo ainda sido adquirida uma bandeira nacional e ficando um saldo de 240$00, que acaba de ser entregue ao Sr. Professor da Benfeita para ingressar nos fundos da Caixa Escolar masculina, a fim de custear o feitio dos bibes e ser aplicada em qualquer obra de que o edifício venha a carecer.

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A Comarca de Arganil - paladino incansável do desenvolvimento regional - que acompanhou as manifestações de regozijo do povo da Benfeita com o maior interesse, cumpre o dever de agradecer as atenções de que rodearam o seu representante.

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