Nome de baptismo: Manuel Simões
Data de nascimento: 12/10/1924
Local de nascimento: Benfeita - ARGANIL
Data de falecimento: 15/12/2002
Local de falecimento: Benfeita - ARGANIL
Sepultado em: Cemitério de Benfeita - ARGANIL
Localização: Jazigo 1
Responsável: Site da Benfeita - 10/03/2010

Manuel Simões

MANUEL SIMÕES

1924-2002

Manuel Simões foi um amigo muito estimado da Benfeita.

Nome do pai: Matias Simões - Avós paternos: António Simões e de Cecília de Jesus.
Nome da mãe: Miquelina de Jesus - Avós maternos: António Agostinho e de Maria d'Assunção.
Irmãos: Assunção, Aurora, Diamantino, Dorinda, Laura, Amélia, Emília, Maria e Alda.
Esposa: Isaura Gonçalves Fernandes Simões.
Filho: Natalino Fernandes Simões (25/12/1948).
Netos: Ricardo Manuel Marques Simões (31/01/1980) - Gonçalo Nuno da Fonseca Simões (14/11/1988).

O seu pai dedicava-se ao comércio de carnes e ele herdou-lhe a profissão. Cedo recebeu a alcunha de "Manuel do Mundo" porque começou a ir, novo, para as aldeias da Serra... (para o Mundo!), para ajudar o seu pai no comércio da carne, minorando-lhe as dificuldades em cuidar de 10 filhos.

Foi para Lourenço Marques, sozinho, em Julho de 1948, quando a sua esposa Isaura ainda estava grávida de seu filho Natalino, que viria a nascer a 25 de Dezembro desse ano, altura em que conseguia o cargo de encarregado do talho da Cooperativa de Criadores de Gado, na capital moçambicana. Ocasionalmente, dedicava-se à compra e venda de propriedades, o que lhe proporcionava um rendimento extra e permitia uma vida mais desafogada. Com uma situação económica e profissional já estabilizada, chamou sua mulher e filho para junto dele, dois anos depois.

Regressou definitivamente a Portugal, em 1972, quando já se vislumbrava num horizonte próximo, uma grave evolução na luta pela independência colonial, tendo-se fixado na cidade de Coimbra, onde fez uma sociedade com um primo, José Feiteira, e dedicado à Construção Civil, vindo ocasionalmente à Benfeita, onde construiu a sua casa.

Transferiu-se para a Benfeita em 1976, tendo sido eleito presidente da Junta de Freguesia, em Janeiro do ano seguinte, cargo que ocupou até Dezembro de 1989, tendo dedicado a esta actividade um grande empenho, entusiasmo e dedicação.

Das inúmeras obras realizadas ao longo dos seus 3 mandatos consecutivos, em equipa com Alfredo Oliveira Gonçalves Martins (secretário) e José Martins Pereira (tesoureiro), destacam-se as seguintes:

  • Abertura da estrada dos Pardieiros para a Mata da Margaraça e, desta, para o Monte Frio;

  • Melhoramento da levada das Almotecerias com colocação de tubagem nova ao longo de todo o percurso;

  • Grande intervenção no espaço da cascata da Fraga da Pena com a construção de pontes e escadarias, mesas e bancos em pedra de xisto;

  • Grande intervenção ao nível da captação de água para abastecimento da Benfeita;

  • Colocação de contadores da água em todos os locais de consumo;

  • Construção do novo edifício da sede da Junta de Freguesia;

  • Abertura do estradão que liga Pai-das-Donas ao Sardal e de outros estradões rurais para acesso a terrenos agrícolas e pinhais;

  • Ampliação do campo de jogos do Areal, tendo-lhe acrescentado o espaço sobre a ribeira e construído a passagem pedonal lateral desde o Areal;

  • Construção da estrutura para instalação de antenas para recepção do sinal de televisão na Benfeita;

  • Ampliação do cemitério dos Pardieiros e remodelação do cemitério da Benfeita com a construção da capelinha da entrada;

  • Alcatroamento da estrada para Deflores.

Era um homem religioso, generoso e amigo, gostando de receber os amigos em casa e de cuidar dos mais desfavorecidos. Bom pai e bom marido, muitas vezes calava as dificuldades da sua actividade para não incomodar aqueles que mais estimava. Muitas vezes trazia para casa os desencantos e as preocupações de uma actividade que não podia contar com grandes apoios camarários tendo, frequentemente, suportado alguns custos para a concretização dos seus projectos, enquanto não chegavam os subsídios.

Tendo enfrentando, nos últimos anos de sua vida, sérios problemas cárdio-renais, como um transplante renal e a colocação de um pacemaker, faleceu subitamente em casa, na Benfeita, com 78 anos de idade, devido a uma paragem cardíaca, quando se preparava para ir à missa na Igreja de Santa Cecília, tendo caído ao chão, na casa de banho, em 15 de Dezembro de 2002.


Alguns depoimentos sobre Manuel Simões:

Pelo seu amigo Marcelo Oliveira:

  • O Manuel Simões era uma pessoa muito empreendedora, profissionalmente muito centrado nos seus objectivos, um hábil e competente negociador. Depois de regressado de África, fixou-se em Coimbra, onde fez uma primeira experiência ligada à construção com o seu amigo José Feiteira, que durou pouco tempo, tendo estabelecido, depois, uma sociedade de construção civil, denominada "Manuel Simões, Artur e Oliveira, Lda." com dois amigos, o Artur Simões e eu, onde ele centralizava a parte comercial de toda a actividade, compras e vendas, com grande competência. Pessoalmente, era uma pessoa muito sensível e religosa, embora tivesse um feitio um tanto emotivo, sendo pouco tolerante com as contrarieades, que tentava sempre ultrapassar da melhor forma.
    Mantém contacto com a Benfeita, onde vai construido e melhorando a sua casa, para onde se transferiu, definitivamente, em 1976.

Pelo seu amigo Alfredo Oliveira:

  • Desempenhei as funções de Secretário na equipa da Junta presidida pelo Sr.Manuel Simões e posso garantir que o esforço e dedicação deste benfeitense em prol do desenvolvimento da freguesia foi notável, considerando que no período de 1978 a 1983 a Junta não tinha receitas próprias, para além dos subsídios atribuídos pela Câmara, correspondentes a cerca de 1500 euros anuais e que os seus membros não recebiam qualquer compensação monetária.
    Muitas vezes o Sr.Manuel Simões teve de estabelecer acordos verbais com a Câmara, para poder dar continuidade aos seus projectos tendo, para o efeito, de antecipar verbas que só seriam reembolsadas muitos meses mais tarde.

Pelo seu amigo José Martins Pereira:

  • O Manuel Simões foi o vice-presidente do Centro Social e Paroquial da Benfeita desde a sua criação, reportando directamente ao pároco, Dr.António Dinis, de quem era amigo pessoal. Desde o princípio que a sua dedicação a esta actividade foi notada por todos e, todos sabiam, que podiam contar com o seu empenhamento e amizade. Dedicou um grande interesse à construção do edifício do Centro de Dia, principalmente na obtenção de licenças na Câmara de Arganil, aonde persistentemente se deslocava. Negociou a compra da propriedade que viria a permitir a construção do Lar de Idosos, outra importante valência do Centro Social da Benfeita.

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA

Clique sobre as imagens para ampliar