RESUMO  HISTÓRICO

A freguesia da Benfeita está situada nas abas da Serra do Açor, aproximadamente a 21 quilómetros de Arganil, sede do concelho, junto às duas ribeiras da Serra: a da Mata e a do Sepinho (Carcavão), que vão desaguar no rio Alva, junto a Coja.

A origem do topónimo poderá ser latina e crê-se que não seja anterior ao século XII. Na Idade Média chamava-se "Bienfecta" que significa "Bem Feita", ainda que não esteja esclarecido o motivo desta atribuição.

Há um documento de compra e venda de metade da Benfeita que data de 1196, testemunhando a sua existência, já nesse ano. O povoamento do território desta freguesia, muito anterior ao século XII, era nos inícios da Nacionalidade ainda bastante fraco. Em data indeterminada teve carta de povoação, dada por Susana Fernandes, talvez uma fidalga com posses nestas terras.

Benfeita foi uma das freguesias do concelho de Pinheiro de Coja, até à sua extinção em 1836, passando para o de Coja, por sua vez extinto em 24 de Outubro de 1855. Por essa razão, Benfeita é citada no termo de Pinheiro de Coja, no foral manuelino desta povoação e concelho, em Lisboa a 12 de Setembro de 1512.

Senhorialmente, a freguesia pertenceu aos bispos de Coimbra, aos senhores de Coja, a Arganil, e a outros. No eclesiástico, é instituída a paróquia de Santa Cecília talvez depois do século XV, dentro da de Coja, separando-se desta, depois. A Benfeita tem por orago Santa Cecília, padroeira dos músicos, que a população venera na Igreja Paroquial.

Santa Cecília

Povo de grande mérito pela sua dedicação ao trabalho, desde tempos remotos que os benfeitenses pastam o gado na serra do Açor e cultivam os férteis terrenos da freguesia, dedicando-se também à construção civil e ao comércio. A olivicultura para além da produção do azeite assume também uma simbologia de homenagem, pois os habitantes de Benfeita utilizam o azeite, símbolo de paz, para alumiar as almas.


POPULAÇÃO

A população residente na Benfeita tem vindo a diminuir sistematicamente, desde o princípio da 1ª Guerra Mundial, altura em que o número de habitantes atingiu o seu máximo.
A saída de alguns benfeitenses para a frente de batalha, na França, integrados no Corpo Expedicionário Português da Flandres, e para as antigas colónias portuguesas de Angola e Moçambique, onde contingentes militares Alemães atacavam os seus postos fronteiriços, abriu as portas à emigração para esses países, tendo-se registado a maior saída entre 1960 e 1970.
Após a independência das ex-colónias, o número de benfeitenses regressados não fez, no entanto, inverter a situação verificada.

Cada vez somos menos...

O envelhecimento da população residente e a consequente baixa de natalidade, a falta de oferta de trabalho local e a contínua saída da já escassa juventude, ou para frequentar estabelecimentos do ensino básico e secundário, ou em busca de trabalho ou de melhores condições de vida, têm agravado drasticamente a situação, fazendo antever a proximidade de um colapso populacional, nas próximas décadas, caso não sejam encontradas alternativas que ajudem a fixar ou a atrair jovens para a Benfeita.

Esta situação poderá manter-se durante mais alguns anos, devido ao agravamento das condições de vida nos grandes centros populacionais. Para fugir aos grandes males que afligem estes locais, como o stress causado pela crescente onda de insegurança, pelo trânsito caótico e pela poluição, algumas pessoas ponderam já, a possibilidade de retornarem à pacatez das suas origens, considerando as vantagens do mal menor.

16/08/2002-Klaus Maier e filhos, imigrantes da alemanha oriental

Outra alternativa para inversão desta situação poderá estar na chegada de imigrantes do leste europeu, gente cordata e trabalhadora, conhecedora do meio rural, desejosa de paz e sossego, e de espaço para criar os seus filhos.

Claro que esta alternativa deveria ser cuidadosamente programada, para evitar situações dramáticas de inadaptação ou conflitualidade com a população local.

Veja também:
Censos 2011, na Benfeita