ESCOLA  PRIMÁRIA - ESCOLA  BÁSICA  EB1

Vista panorâmica - Agosto 2003

A Escola Primária da Benfeita, foi mandada construir pelo Presidente da Junta de Freguesia, Sr.Alfredo Nunes dos Santos Oliveira, tendo sido custeada pela Junta de Freguesia, com comparticipação do Estado.
Foi inaugurada em 24 de Abril de 1960, com a presença do Presidente da Câmara Sr. Coronel Álvaro Duarte da Silva Sanches e do Director Escolar Sr. Mário Nogueira Gonçalves, entre outras distintas individualidades.

Anteriormente, a escola primária, estava instalada numa casa de pedra no Largo do Areal, onde viria a ser construído o actual edifício da Junta de Freguesia.

Na cerimónia de inauguração da escola, cuja regente era a professora D.Maria Edite Ribeiro Saraiva, foi homenageado o presidente da Junta de Freguesia, estando presentes muitos amigos e admiradores seus, que contribuiram para que esta homenagem se transformasse numa verdadeira consagração, ao que era seu muito dedicado, sacrificado e competente presidente, há várias dezenas de anos.
Em memorável sessão solene foi-lhe consagrada uma rua na Benfeita e foi-lhe oferecido, pelo Sr. Presidente da Câmara, um grosso álbum, que encerrava várias listas de subscritores para esta justa homenagem. Quatro dias depois, Alfredo Nunes dos Santos Oliveira viria a falecer, abrindo um vazio à administração pública benfeitense, muito difícil de preencher.

Situada no ponto mais elevado da Benfeita, num sítio, antigamente conhecido por "Extremas Carreiras", a escola primária era servida por uma estrada em terra batida que, devido ao seu mau estado, não permitia o transporte dos alunos até ao edifício escolar, os quais ainda tinham de percorrer um longo trajecto, a pé.
Até há poucos anos os alunos deslocavam-se para a escola, utilizando a subida do Oiteiro, o que constituía um enorme esforço para crianças tão jovens, atendendo à irregularidade do piso e à sua fortíssima inclinação.
A mudança da antiga escola do Areal para o Oiteiro, local de tão difícil acesso, deve ter sido motivo para o abandono escolar de algumas crianças e provocado a impossibilidade de deslocação de outras que tinham mais dificuldade de locomoção.

Depois de terminarem os 4 anos do ensino básico na escola da Benfeita, os alunos terão de continuar os seus estudos em Coja, até ao 9º ano e depois, em Arganil e Coimbra.

Setembro de 2001

Setembro de 2001

Setembro de 2001

Agosto de 2003

Agosto de 2003

Agosto de 2003

A actual Escola Básica da Benfeita, pertencente à Área Educativa de Coimbra serve, actualmente, todas as povoações da freguesia, dado já não existirem mais escolas nas aldeias da Benfeita!

Integrada no Plano de Requalificação da Aldeia, com o apoio financeiro da União Europeia, teve lugar a remodelação do recreio da escola que, desde a sua construção, não sofria qualquer melhoramento e, em Setembro de 2004 ficou finalmente concluída a asfaltagem da estrada de acesso que se encontrava inacabada há já alguns anos, beneficiando a escola e, particularmente, os habitantes do Bairro do Oiteiro.
O piso de agora quase que faz esquecer completamente os penedos escorregadios e os regueirões, na época das chuvas, e as covas e pedregulhos de outrora, ao longo do seu sinuoso trajecto; mas, as curvas continuam lá! São cerca de 1700 metros de intermináveis curvas e contra-curvas, subidas e descidas, por entre pinheiros e eucaliptos, onde só muito dificilmente se conseguem cruzar duas viaturas, numa estrada com pouco mais de 2 metros de largura. Alguns alunos, ainda continuam a deslocar-se, a pé, pela íngreme e interminável subida do Oiteiro.

Esta escola regista já a publicação de 4 livros, escritos pelos seus alunos, no âmbito das suas actividades escolares. Estas publicações, escritas numa linguagem simples e autêntica, própria das crianças, reflectem a preocupação de não deixar cair no esquecimento o nosso património histórico e etnográfico. Esta ideia teve a importante iniciativa do professor Rui de Carvalho que aqui leccionou entre 1980 e 1995, e que também editou o jornal escolar "O Pipocas", que viria a obter avultados prémios pecuniários e distinções no meio literário infantil.

São as seguintes, as obras publicadas:

  • Quinze histórias de encantar - Dez./1992

  • Pequenos autores - Dez./1993

  • Benfeita - Uma terra e um povo - Abr./1994

  • Descobrir a Freguesia da Benfeita - Abr./1995

A actual titular da Escola da Benfeita é a professora Carla Gouveia, que reside em Oliveira do Hospital, e veio substituir o professor Américo Manuel Simões China, falecido em 13 de Julho de 2006.

A professora Carla Gouveia e os seus jovens alunos

A Escola Básica da Benfeita tem um WebSite produzido no âmbito do projecto CBTIC@EB1s - Rede de Escolas Básicas do Distrito de Coimbra, cujos promotores são a Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN) e Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) e cuja visita aconselhamos em: http://www.eb1-benfeita.rcts.pt/.

À semelhança daquilo que acontece no resto do país, a freguesia da Benfeita irá ser afectada no âmbito do chamado Reordenamento da Rede Escolar, pelo encerramento da sua Escola Básica, devido ao decréscimo do número de alunos, passando estes a terem de se deslocar, supostamente, para a EB1, de Côja.
O número mínimo de alunos a frequentarem as escolas do primeiro ciclo terá de ser de quinze e nenhuma poderá ter menos de dois professores, além de terem de garantir transporte, refeições e actividades extracurriculares para as crianças. Por isso, a nossa escola da Benfeita deverá ter já os seus dias contados. Outras escolas já não estão a funcionar ou porque não têm professores, ou porque, simplesmente, não têm alunos.

Vivaldo Quaresma
10/11/2006

NOTA: A Escola EB1da Benfeita terminou a sua actividade no ano lectivo de 2008/09. A sua última professora, Carla Gouveia, foi colocada na Escola Básica Integrada da Ponte das Três Entradas, em S.Sebastião da Feira, concelho de Oliveira do Hospital e os seus alunos foram transferidos para a Escola Básica de Côja. Assim terminou, ao fim de 50 anos de existência, a nova Escola Primária, que foi o orgulho da população e que muitas saudades deixou a todos quantos por ela passaram. Esperemos, agora, que este local possa vir a ser utilizado em benefício de toda a comunidade benfeitense, jovens e adultos.

Comarca de Arganil - 21/04/1901

Excerto de opinião sobre a escola primária, no princípio do século passado, assinado por Bermudes.

... Suponham os caros leitores uma pequena casa quadrada de 6,5 m por lado, situada entre duas ribeiras, cujas paredes são construídas de pedras sobrepostas, sem argamassa, com grandes intervalos (que bem se parecem com esconderijo de corujas e morcegos), dando passagem sem impedimento de espécie alguma ao vento e à chuva, regelando professor e alunos nesses grandes dias de inverno, mas ventiladores magníficos para se não morrer asfixiado, na época canicular, e três janelas microscópicas com um telhado roto como uma cesta!
Eis, em poucas palavras, a escola da Bemfeita. Poderá imaginar-se coisa mais imprópria do que isto? Cremos que não...

Jornal de Arganil - 29/09/1955

Benfeita, 25

Vão recomeçar as aulas da centenária escola da nossa terra.
Única na freguesia durante mais de setenta anos e uma das mais antigas em toda a região, por ela passaram centenas e centenas de rapazes da Benfeita, Dreia, Deflores, Pardieiros, Monte Frio, Relva Velha, Enxudro, Pai das Donas, Sardal e Luadas, e de muitos de fora da freguesia (João e José Alves Matoso, Dr. Augusto de Figueiredo, Albino Abranches Freire de Figueiredo e muitos outros), atraídos pela justificada fama dos excelentes professores que aqui regeram cadeira.
Instalada há-de haver uns cem anos em edifício próprio, construído pelo povo no Areal, junto à confluência da ribeira dos Boiços com a ribeira da Mata, tem sido ampliada por imposição do aumento da população escolar e melhorada de harmonia com as modernas normas da pedagogia, mas a sua infiguração permanece quase a mesma, e muitos dos que nela aprenderam a ler ou prepararam os seus exames, facilmente encontrariam ainda os lugares em que se sentavam.
Haverá alguém, sobretudo entre aqueles a quem a neve dos anos embranqueceu os cabelos, que não recorde com ternura os dias ali passados, os professores que lhes ensinaram a ler, escrever e contar, os companheiros do estudo e das brincadeiras e até os castigos recebidos?
Ninguém certamente!
Todos os que passaram pelos bancos da escola do Areal e nela se apetrecharam para o árduo labutar da vida, hão-de sentir agora, onde quer que estejam, a saudade desses tempos que, se é verdade não voltarão mais, poderemos reviver todos os dias, pelo coração que, quanto mais velho e cansado, melhor sabe recordar os mil episódios desses dias belos e distantes.
Vão recomeçar as aulas da centenária escola do Areal.
Novamente uns quantos pequenos cruzarão pela primeira vez a sua porta, indecisos, assustados, de lágrima no canto dos olhitos inquietos, ou agarrados fortemente às saias da mãe ...
E novamente, como há mais de um século vem sucedendo todos os anos, ali encontrarão quem lhes ensinará, com paciência e bondade, a pegar habilmente numa pena e a cumprir essa tremenda tarefa - tão difícil para a sua inexperiência - de cobrir a tinta os riscos do primeiro caderno!
Porque não hão-de homenagear-se um dia, numa grande romagem de gratidão e de saudade, à escola do Areal - símbolo de dezenas de esforçados professores - todos quantos passaram pelos seus bancos?
Porque não hão-de vir, nessa ocasião, sentar-se nas suas carteiras, como há trinta, há quarenta ou cinquenta anos, os mais velhos de quantos ali aprenderam a ler?
E porque não hão-de todos, as centenas e centenas de rapazes que se instruíram na velha escola, reunirem-se aqui, em pessoa, os que pudessem vir, numa grande festa de confraternização e amizade, a que sem dúvida se associariam em espírito, lá de longe, os que só em pensamento pudessem subir os degraus da escada da sua escola?
Abraçar-se-iam e recordar-se-iam os vivos e rezar-se-ia pela alma dos muitos que já partiram.

Jornal de Arganil - 18/12/1958

Benfeita, 13

Como é do conhecimento dos nossos leitores, vai ser construída na nossa terra uma nova escola, de harmonia com o chamado "Plano dos Centenários". Há dias veio escolher o terreno mais conveniente para a implantação desse edifício um engenheiro dos respectivos Serviços, que percorreu vários locais e acabou por designar um terreno, quase plano, no Oiteiro, logo a seguir às últimas casas da povoação.
Na verdade, o local escolhido parece o mais conveniente, dos poucos que poderiam ser utilizados, dada a natureza alcantilada das nossas encostas e a necessidade da escola não ficar em comunicação directa para qualquer estrada rodoviária.
O terreno está povoado de oliveiras, pertencentes a vários proprietários; tem boa exposição ao sol e pouca humidade. Como a junta de freguesia, da presidência do sr. Alfredo Nunes dos Santos Oliveira, tomou a responsabilidade de oferecer rapidamente o terreno, ao Estado, é de esperar que a construção do edifício seja iniciada nos primeiros meses de 1959.

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