ENTREVISTA

Alfredo MartinsAlfredo Martins completou 3 mandatos consecutivos como Presidente da Junta de Freguesia

por: Vivaldo Quaresma

Alfredo de Oliveira Gonçalves Martins é uma pessoa muito estimada na Benfeita, terra onde reside e onde nasceu a 7 de Março de 1952. Foi casado com Maria Manuela Casal de Pinho, de quem teve três filhos: Luís (1975), Ana Rita (1979) e João Martins (1985). Nesta altura já é avô de 6 netinhos: Guilherme, Francisca, Madalena e Mafalda (do Luís e da Ana Fidalgo), Luísa e Nuno (da Ana Rita e do Ricardo Gonçalves).

Aqui exerce, quando pode, a sua antiga profissão de carpinteiro e aqui explora um estabelecimento comercial no centro da aldeia, o "Café Central", e um bar-esplanada localizado sobre a Ribeira da Mata, o "Quiosque da Benfeita".

Foi presidente de direcção da Liga de Melhoramentos da Freguesia de Benfeita durante dois mandatos, de 01/01/1978 a 31/12/1979 e de 23/02/1985 a 06/03/1987, e foi eleito presidente da Junta de Freguesia de Benfeita, pelo PSD (Partido Social Democrata), durante três mandatos consecutivos, nas eleições autárquicas de 09/10/2005, 11/10/2009 e 29/09/2013. Em 2017, por ter atingido o limite de mandatos, não pôde candidatar-se à presidência, embora tivesse continuado ligado à Junta de Freguesia, no cargo de Secretário.

É neto de Alfredo Nunes Santos Oliveira, que também foi carpinteiro de profissão e presidente da Junta de Freguesia, durante cerca de vinte e sete anos, de 22/10/1933 a 28/04/1960, tendo sido o presidente da Junta de Freguesia que maior número de anos permaneceu em funções, no tempo em que não havia a limitação dos três mandatos consecutivos, imposta pela Lei 46/2005.

No final do seu teceiro mandato quisemos fazer-lhe esta entrevista com o objectivo de conhecer melhor a sua actividade autárquica, durante estes últimos 12 anos, à frente dos destinos da freguesia, e quais foram as suas principais preocupações, concretizações e contrariedades.

Recebeu-nos com a sua habitual simpatia e respondeu cordialmente às nossas perguntas... muitas... e com muita paciência!

O autarca:

S.B. (Site da Benfeita) - Que motivações o levaram a candidatar-se à presidência da Junta de Freguesia da Benfeita, em 2005, então, com 53 anos de idade?
A.M. (Alfredo Martins) - Ainda jovem, analisando aquilo que foi o percurso autárquico do meu avô Alfredo, pessoa que, para lá da ligação familiar, eu admirava bastante, acalentava a esperança de um dia poder merecer ocupar este cargo. Candidatei-me porque senti que podia ser útil à minha Freguesia, o mesmo é dizer, ao meu berço natal, e era o tempo certo para poder demonstrar isso mesmo, procurando empenhadamente dar continuidade a uma "tradição familiar" que muito me honra e orgulha.

S.B. - No decurso da sua actividade autárquica nestes 12 anos, provavelmente, teve de dizer várias vezes "Não!" a algumas pretensões apresentadas, e ter de sair do confortável "politicamente correcto". Dos seus muitos antigos amigos ganhou alguns adversários ou inimigos?
A.M. - Sinceramente tenho para mim a ideia de que não criei inimigos. Sou por natureza dialogante, adepto de consensos e atento às múltiplas e variadas necessidades de uma população que está envelhecida e carenciada. Certamente não terei dado a resposta desejada a 100% das questões apresentadas; mas, ainda assim, continuo convicto de que não criei inimigos.

S.B. - Por diversas vezes o encontrámos, na Benfeita, aos comandos de uma máquina Bobcat, movimentando terras, deslocando pedras ou limpando o leito da ribeira; carregando equipamento e materiais de construção e, ultimamente, aos comandos de um veículo de combate a incêndios e intervindo activamente com uma mangueira na mão combatendo o fogo que se alastrou pela nossa freguesia.
Quando, em 2005, se propôs à presidência da Junta de Freguesia, achava-se preparado para o desempenho destas tarefas e tinha noção dos trabalhos que teria de desempenhar no âmbito da sua actividade autárquica?

A.M. - Creio que sim! Eu já tinha alguma experiência autárquica, resultante do desempenho como Secretário, ao longo de três mandatos e meio, desde as primeiras eleições livres, realizadas em 1978, até meados de 1988, coadjuvando e apoiando o então Presidente, Manuel Simões. Depois, como já disse, eu estava determinado em demonstrar - primeiro a mim próprio, depois à sociedade - ser capaz de fazer obra e ser digno dos meus antecessores. Por isso, considero que estava preparado, sobretudo mentalmente, e tinha a noção daquilo que me esperava.

S.B. - Durante os últimos 12 anos da sua vida, tem noção de alguma vez ter sujeitado a sua família a alguns sacrifícios e privações pelo excesso de tempo que dedicou às suas tarefas autárquicas e de manter o seu telemóvel pessoal sempre disponível à sua comunidade?
A.M. - Inevitavelmente sim, e tenho consciência disso! Quando decidi optar ser Presidente da Junta de Freguesia, 24 horas por dia, 365 dias por ano, implicitamente estaria a sacrificar a minha família, privando-a da minha presença, e privando-me da presença dela, em muitas situações.

S.B. - Como foi a sua relação com as várias Assembleias de Freguesia durante os três mandatos?
A.M. - A relação do Executivo da Junta com o Órgão deliberativo sempre foi cordial e institucionalmente correcta. Basta consultar as actas das reuniões da Assembleia para constatar que a esmagadora maioria das decisões foram aprovadas por unanimidade. Várias foram as vezes em que a Assembleia, pela voz do seu Presidente Marcelo Oliveira, proferiu palavras de elogio e incentivo ao empenho e determinação da acção da Junta.

Obra realizada:

S.B. - Sem desprestígio por outras obras realizadas durante os seus mandatos, eventualmente também importantes para a freguesia, qual das seguintes obras que destacamos, considera que tenha tido maior importância para a Benfeita, e porquê?

- Construção do edifício do Quiosque;
- Construção da Praia Fluvial;
- Construção do Caminho Pedonal da Várzea;
- Construção da Casa-Museu Simões Dias;
- Construção do Caminho do Xisto;
- Construção da ponte metálica para acesso ao campo de jogos sobre a ribeira;
- Recuperação das casas dos professores para habitação de aluguer;
- Restauro do relógio da Torre da Paz:
- Construção do Parque de Estacionamento do Figueiral;
- Construção do sanitários da Fraga da Pena;
- Construção da casa de banho do cemitério;
- Organização documental dos cemitérios;
- Aplicação de toponímia e números de polícia em toda a freguesia;
- Construção de abrigo para utentes de tranportes públicos, no Areal;
- Transformação do edifício da antiga Escola Primária em Albergue para a Juventude.

A.M. - Este conjunto de realizações refere-se somente a trabalhos realizados na sede de Freguesia, portanto na Benfeita, e aqui permitam-me que destaque a construção do "Caminho Pedonal da Várzea". De um espaço emblemático, de grande significado histórico para a aldeia, pois outrora foi a nossa única estrada de entrada e saída, que já se encontrava totalmente abandonada e onde proliferavam as silvas e as urtigas e servia de local de despejo para os detritos das hortas, foi possível construir este caminho, paralelo ao leito da ribeira que, na minha modesta opinião, muito veio valorizar a Benfeita. Que me perdoem a imodéstia, mas esta é "a minha obra", aquela à qual dediquei um carinho especial, não só pelo que ela representava, mas também porque, ao recuperar este espaço, estava a prestar a minha singela homenagem aos nossos antepassados que tanto se esforçaram para nos legarem este património. Esta obra foi comparticipada por fundos comunitários, onde a Junta executou e suportou os custos da recuperação das paredes e do açude.

S.B. - Sabendo que o montante investido pela autarquia (Câmara e Junta de Freguesia) na construção dos sanitários da Fraga da Pena ascende a 35.000 euros, como considera o despacho de embargo da obra, pela IGAMAOT (Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território) que visa a destruição de tudo o que já foi feito?
A.M. - Este assunto, para mim, ainda não está terminado porque constitui uma situação verdadeiramente inexplicável e inaceitável. É inquestionável que aquele espaço, com mais de 20.000 visitantes por ano, necessita ter umas instalações sanitárias adequadas, para responder a eventuais necessidades fisiológicas das pessoas que o visitam. A Junta de Freguesia respeitando as regras e as hierarquias, começou por auscultar as entidades de forma verbal, a Câmara Municipal de Arganil e o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas).
Perante a opinião generalizada e consensual de que era imperativa a construção desta infra-estrutura, a Junta sensibilizou a Câmara para que desencadeasse a elaboração de um projecto e solicitasse a obtenção dos respectivos pareceres favoráveis. O assunto é levado à Assembleia Municipal onde obtém a declaração de Interesse Público, por unanimidade. É no respeito integral deste quadro que a obra nasce.
Já com a obra praticamente concluída, surge este Instituto a declarar a nulidade de todo o processo, alegando que o "Ordenamento Territorial" não prevê construções novas naquele espaço. Enfim, verdadeiramente lamentável a decisão da Secretaria de Estado competente. Chego a pensar que o senhor Secretário de Estado que assumiu esta decisão, prefere ver o espaço empestado de fezes e retalhos de papel higiénico a céu aberto, do que legitimar a criação da solução de um problema.

S.B. - Qual foi a estratégia de futuro que delineou para a sua Freguesia, enquanto Presidente, e como imagina que ela estará nos próximos anos?
A.M. - O meu ideal passava pela valorização de todo o percurso urbano paralelo ao leito da ribeira, desde o Poço da Várzea até ao Lagar da Ponte. Para a consumação deste objetivo são necessários muitos milhares, coisa que obviamente não temos, ou então, teremos de optar por procurar fazer uma obra este ano, outra no ano seguinte, e assim sucessivamente, até completar o "puzzle". Foi neste sentido, procurando concretizar este sonho, que já surgiu a construção do Quiosque, com a valência de Bar/Esplanada; a praia fluvial; a ampliação do recinto de jogos; a construção do Caminho Pedonal da Várzea; a recuperação do Jardim Simões Dias, dando-lhe também espaço para que seja o recanto dos poetas da Benfeita; a compra dos terrenos para o Parque de Merendas e o início dos trabalhos para a construção do Parque de Estacionamento. Para completar o "puzzle" ainda tentei assegurar condições para a construção de um Parque de Campismo, aproveitando as estruturas existentes; a criação de uma unidade de restauração e uma unidade de alojamento. Por isso, espero que os meus sucessores abracem este projecto e lhe dêem continuidade. Considero que a Benfeita tem um enorme potencial para dinamização da vertente turística, explorando e aproveitando a sua localização no corredor Piódão - Mata da Margaraça - Fraga da Pena; os Caminhos do Xisto; a Barroca do Carcavão, que é um autêntico mini-Gerês; a montanha e os percursos fantásticos para a prática de Trail e BTT.

S.B. - Na sua opinião, as competências da Junta de Freguesia são adequadas e suficientes para a população que representa?
A.M. - Diria que sim e diria que não! São adequadas, e já vão para lá das nossas capacidades, porque não dispomos de meios económicos e estruturas para ir mais longe. Diria que não, porque todos os especialistas na matéria, toda a panóplia de figuras do Poder Central, há muito que enaltecem e reconhecem o "papel" desempenhado pelas Autarquias do Poder Local, junto das populações. Contudo, o Poder Central, nunca manifestou interesse em passar das palavras aos actos. Profissionalizar aquelas que, pela sua área e densidade populacional, o justificassem, e pelo menos semi-profissionalizar aquelas que estão espalhadas pelo interior desertificado do País, dotando-as de meios e regras para terem uma acção mais profícua e interventiva, contribuindo desta forma para uma melhor harmonização do território nacional, seria um acto de boa gestão dos dinheiros públicos.

S.B. - Tendo já sido presidente da Liga de Melhoramentos e da Junta de Freguesia, durante vários mandatos, conhece bem as competências de cada um e o funcionamento das duas entidades. Durante os seus mandatos na Junta de Freguesia como foi o seu relacionamento institucional com a Liga de Melhoramentos?
A.M. - A Liga de Melhoramentos teve, outrora, um papel seguramente muito importante no desenvolvimento das condições de vida na aldeia. Já as Juntas de Freguesia tinham um papel subalterno.
Era o espaço de excelência onde as figuras mais importantes da localidade se reuniam, e uniam, em busca de objectivos comuns, e sempre com um sentido de elevado altruísmo. Depois, na década de 60/70, começou a debandada das pessoas, para os grandes centros urbanos, para o litoral e para o ultramar, em busca do "vil metal". Perdeu-se o espírito do apego à origem e estas instituições ficaram privadas das suas figuras mais relevantes, e aí começou o seu calvário e agonia, perdendo protagonismo e espaço para a Autarquia. Os meus mandatos, enquanto Presidente da Junta, coincidiram com uma crise profunda da Liga de Melhoramentos, ao nível de corpos sociais, pelo que não é justo da minha parte classificar essa relação, uma vez que "do outro lado" não havia verdadeiramente um interlocutor. Apareceu recentemente uma nova Direcção e eu diria, um novo fôlego! Espero e desejo que sejam bem-sucedidos!

S.B. - Na moderna história de "Pedro e o lobo", o lobo vem sempre ao povoado, mais cedo ou mais tarde! Ora, sabendo-se que os estragos que o "lobo" irá causar podem ser ligeiros, mínimos ou inexistentes; ou, também, vitimar a perda de todo o rebanho, e comparando a figura do lobo ao incêndio verificado na nossa região no passado mês de Outubro, considera que esta situação também não poderia ter sido evitada?

A.M. - É falso dizer-se que este incêndio não poderia ter sido evitado! Grande parte da culpa e a responsabilidade de toda esta catástrofe nacional é da cúpula da estrutura de combate a incêndios, incluindo o Governo, sobretudo do Ministério competente. Para que o "nosso" incêndio não ocorresse, bastava que na madrugada e manhã de 7 de Outubro as operações de combate, fossem entregues a um Comando Local competente, conhecedor da serra, a quem fosse proporcionado os meios necessários. Depois, era só recorrer aos manuais antigos, arregaçar as mangas e ir combatê-lo no espaço onde ele estivesse activo. Aproveitar o momento em que o fogo desce a serra, altura em que ele progride lentamente, sem grandes chamas, quase "sonolento". Era este o cenário na manhã de sábado, na crista da serra sobranceira aos Parrozelos e Porto Castanheiro. Ninguém deu ordens para que o incêndio fosse logo atacado naquelas circunstâncias.
Ao longo da estrada do Alto Ceira e da estrada que acede à casa do PPD, estavam estacionados mais de uma dezena de camiões de diferentes corporações de bombeiros, impávidos e serenos, à espera que as chamas chegassem ao seu raio de acção. O fogo demorou cerca de 10 horas a consumir a encosta sul do Porto Castanheiro, até passar para a outra margem do ribeiro de Parrozelos. Depois demorou 2 a 3 horas para subir a serra e, já impulsionado pelo vento, ganhou proporções difíceis de contrariar. Nos dias 8, 9, 10, 11, 12, 13, e 14, houve vários reacendimentos, provocados pela inexistência de vigilância, os quais também foram anulados. Depois, chegámos à madrugada de 14 para 15 de Outubro e, sem os meios que o Governo decidira dispensar, sem rescaldo nem vigilância nos pontos mais críticos, ficaram criadas as condições propícias para que os efeitos climatéricos da "Ofélia" fizessem o resto.
Por outro lado, também não sejamos ingénuos, o ser humano nunca estará totalmente preparado para enfrentar todos os desafios da Natureza, em todo o lado, ao mesmo tempo, sabendo-se que fenómenos imprevistos podem ocorrer em qualquer lugar com diferentes graus de intensidade. Isto, já para não falar da maldade humana que, conhecendo os meios de defesa, conseguem encontrar formas de os neutralizar causando grandes tragédias, como é o caso do fogo posto que, de uma certa forma, é uma actividade terrorista.

S.B. - Como se encontravam os terrenos da região na altura em que deflagrou o incêndio, no que diz respeito à sua limpeza e manutenção?
A.M. - É por todos nós sobejamente reconhecida a desertificação do interior do país. A região onde a Benfeita está inserida não foge à regra e o abandono das propriedades rurais provoca o aumento da vegetação (massa combustível) que nestas circustâncias, como nas vividas no fatídico 15 de Outubro, transforma os espaços rurais em enormes "barris de pólvora". Se a este estado factual, adicionarmos a falta de acessos florestais planeados com antecedência e critério; a falta de fiscalização para o cumprimento da legislação em vigor; a falta de meios adequados instalados nas diferentes freguesias para reacção imediata a situações precoces e a nova metodologia negligente de combate a incêndios, implementada pela Autoridade Nacional, receio que a médio prazo possamos, com maior ou menor dimensão, viver situações dramáticas, como aquelas que vivemos recentemente, a não ser que a problemática dos incêndios no nosso país seja enfrentada com outro tipo de prioridade e rigor.

S.B. - Como considera o apoio dado pela comunidade, e a resposta dada pelo governo, às pessoas afectadas pelo incêndio?
A.M. - O apoio dado pela população activa foi excelente, diria mesmo inexcedível, em todos os sentidos. Sempre na linha da frente, acompanhando e tentando confinar a propagação do incêndio, sozinhos, só com os nossos parcos meios de combate. Algumas vezes tocou a rebate depois da meia-noite para ir combater um reacendimento, junto a esta ou aquela localidade. E lá estávamos nós a dizer presente, estoicamente, tentando sobretudo evitar que as chamas atingissem esta ou aquela casa de habitação. Como mero exemplo da nossa entrega e disponibilidade para ajudar a salvar aquilo que fosse possível, na tarde/noite de 14 de Outubro, participámos na extinção de um reacendimento ocorrido na zona do Posto Vigia, ainda na encosta do Monte Redondo. Cerca da meia-noite a corporação de Bombeiros abandonou o teatro de operações, alegando cansaço do pessoal, e sugerindo-nos que ficássemos nós a vigiar toda a cordilheira da serra, até à manhã de domingo, altura em que eles viriam substituir-nos. Apesar no nosso descontentamento e discordância perante esta atitude, mas sem alternativas, aceitámos o repto e desempenhámos a nossa missão sem desfalecimento, não permitindo que o mais pequeno foco de chama ganhasse proporções e invadisse o nosso espaço geográfico. Às 9 horas da manhã de domingo fomos substituídos, depois… enfim, depois veio a catástrofe.
Quanto à resposta do Governo, foi uma acção de apoio enganoso, cheio de truques, em estilo contra-relógio, com mudança de directrizes constantes, sem grandes esclarecimentos das alterações em tempo útil, não permitindo assim, digo eu, que todos os lesados pudessem apresentar as suas candidaturas para serem ressarcidos dos danos que a incúria dos nossos dirigentes provocou. Diria que o apoio dado, terá sido um "rebuçado" com sabor agridoce.

A Freguesia:

S.B. - Tendo cerca de 90% da população da Benfeita, uma idade superior a 65 anos e, na sua maioria, recebendo reformas mínimas e não tendo qualquer apoio familiar, existe algum apoio prestado pela Junta de Freguesia a essa faixa etária?
A.M. - Não existe na Autarquia um programa específico de apoio familiar para a população; isto é, não dispomos de recursos económicos que nos permitam implementar uma acção com esta valência. Ou seja, e de uma forma mais clara: sem receitas próprias significativas e com cerca de 29.000 euros atribuídos pelo Orçamento do Estado, através da DGAL (Direcção Geral das Autarquias Locais), tem de haver muita contenção e rigor nos gastos para podermos chegar ao fim do ano, sem défice. Os custo fixos da Autarquia, com salários, electricidade, telefones, combustíveis, manutenção de viaturas, seguros, compensações aos membros do executivo e Assembleia, e pequenas intervenções, absorvem esta receita na sua totalidade, não nos dando margem para alargarmos a nossa intervenção a outras áreas.  

S.B. - Como se encontrava a situação financeira da Junta de Freguesia no final do seu último mandato?
A.M. - Normal. Cumprindo na íntegra as regras que nos são impostas por lei e com saldo positivo, embora de valor insignificante ou residual; mas, acima de tudo, sem dívidas transitadas para o novo executivo.  

S.B. - Qual o apoio que o Município presta à Junta de Freguesia?
A.M. - Para se perceber bem o contexto da minha resposta a essa pergunta, importa, ainda que de forma sumária, fazer uma análise prévia sobre a realidade do Concelho. É um território de interior, cuja orografia é composta, em mais de 70%, por serras e montes, com péssimas acessibilidades, sem tecido industrial relevante, com cerca de 11.000 habitantes maioritariamente já em idade sénior, e composto por 182 localidades distribuídas por 14 Freguesias. O executivo camarário que tomou posse após as eleições de finais de 2005, coincidente com a minha entrada em funções, herdou um passivo acumulado muito próximo dos 8.000.000 (oito milhões de euros). A juntar a este constrangimento surge, depois, a crise económica, o pedido de resgate, a chegada da troika, os cortes nas verbas que até aí lhe eram destinadas, a redução dos efectivos humanos, etc.
É perante estas duas realidades, que devo dissecar o apoio que a Câmara prestou às Juntas, e no caso concreto, à Junta da Benfeita. Globalmente, é meritório o apoio que nos foi prestado, mas diria que foi manifestamente insuficiente para tanta tarefa que nos foi atribuída através do protocolo de delegação de competências. A Junta recebe anualmente cerca de 13.000 euros para assegurar as limpezas de caminhos, espaços urbanos das aldeias, bermas das estradas, pequenas intervenções ao nível de muros caídos, barreiras, valetas, aquedutos, espaços verdes, recolha de lixo doméstico, recolha e transporte a vazadouro de trastes ou monos, etc.
Considerando que a Autarquia faz cerca de 70 recolhas de lixo doméstico anualmente, percorrendo todas as aldeias da Freguesia, num total de 50km por recolha, constata-se facilmente, sem necessidade de grandes exercícios de matemática, o quanto é insuficiente este valor global que nos é concedido.
Por outro lado, e aqui vem o lado meritório do apoio, temos a possibilidade de apresentar anualmente uma candidatura ao denominado "Contrato Programa" para custear a realização de uma obra mais relevante com envolvimento económico mais elevado e que se manifeste importante para a nossa Freguesia.

A população:

S.B. - É conhecido o problema do despovoamento das aldeias do interior. Na freguesia da Benfeita havia, em 1911, um total de 1761 habitantes e, desde então, a população residente tem vindo a diminuir a um ritmo preocupante. Em 1991 a população já era de 666 e, no "Census de 2001", os habitantes-residentes eram apenas 501. Na últimas eleições de 2010, já havia só 415 eleitores inscritos nos cadernos eleitorais e, em 2017, apenas 361!
A que pensa que se deve esta diminuição drástica do número de habitantes e o que poderia, a Junta de Freguesia, tentar fazer para inverter esta tendência, contribuir para fixar a população e atrair novos residentes?
A.M. - Creio que a Juntas de Freguesia do interior pouco podem fazer para inverter esta tendência. Só um programa bem elaborado pelo Poder Central, que contemplasse as questões das acessibilidades, apoios concretos à fixação das pessoas e empresas, isenções e/ou diminuições em matéria de impostos directos, num primeiro passo, para depois surgirem a reabertura de escolas e centros de saúde, é que esta desertificação poderia ser estancada. A manterem-se as decisões do Poder Central em matéria de encerramento das estruturas, até há pouco existentes, esta debandada da população jovem, para os grandes centros e litoral, vai continuar de forma inexorável.

S.B. - Que tipo de relacionamento existe com os estrangeiros que se instalaram na freguesia?
A.M. - A chegada da comunidade estrangeira à nossa Freguesia, pode ser analisada de duas formas distintas e até antagónicas. Por um lado foi benéfico; é gente jovem, repovoaram espaços quase inóspitos, dinamizam o comércio local, não criam conflitos preocupantes, é uma comunidade muito solidária entre si, convivem pacificamente com a população local, embora mantendo alguma resistência à integração na nossa cultura.
O lado menos positivo desta questão, prende-se com o alheamento que as entidades superiores dão a este fenómeno. Ninguém com competências sobre a matéria exige ou fiscaliza o cumprimento de regras, e que são impostas ao cidadão nacional. Eles chegam, compram casas que depois reconstroem e ampliam sem respeitarem as regras vigentes para a construção. Não se registam na base de dados nacional, pelo que na grande maioria dos casos não se sabe quem são, a composição do agregado familiar, o que fazem, do que vivem, sendo que mantendo-se neste anonimato, ou clandestinidade, também não estão sujeitos ao regime contributivo nacional, pelo que não pagam IMI, IRS, recolha de lixo doméstico, impostos rodoviários, etc. apesar de usufruírem de todas as estruturas existentes e, para as quais, como é sabido, o cidadão nacional contribui, e de forma exagerada. Esta desigualdade começa a dar sinais de mal-estar e algum descontentamento, sobretudo pela diferença de critérios.

S.B. - O posto de atendimento dos CTT está a funcionar dentro das instalações da Junta de Freguesia desde 2004. Entende que o actual serviço deu continuidade ao anterior, prestado pelos CTT, garantindo a mesma qualidade de serviço de distribuição, atendimento e horário, ou, que a população tem razões para demonstrar alguma insatisfação e descontentamento e se queixar de maior isolamento e desprezo pelo interior do país?
A.M. - Há sempre razões de fundo para que haja algum descontentamento, já que o Governo, alheando-se das suas responsabilidades, decidiu encerrar este tipo de estruturas, em centenas ou mesmo milhares de localidades, pelo País. Porém, a solução alternativa encontrada, depois de ultrapassado o período de adaptação à nova realidade, tem servido os interesses da população.
O Posto tem praticamente as mesmas valências de uma Estação e funciona sob as directrizes emanadas pelos CTT. Como "não há bela sem senão", também aqui a Junta é penalizada para poder assegurar este serviço à população. A compensação que nos é atribuída para prestarmos este serviço, assegura somente cerca de 50% dos custos reais de funcionamento, pelo que tem de ser o orçamento da Junta a suportar os custos da diferença.

Saúde:

S.B. - O médico sempre foi uma figura pública importante na nossa freguesia. Acha que o número de visitas médicas é suficiente para cuidar da nossa população e que os nossos idosos estão tranquilos e confiantes com o serviço que lhes é prestado no Posto de Saúde da Benfeita?
A.M. - Não existem visitas médicas às sedes de Freguesia. As pessoas que necessitam de cuidados de saúde devem deslocar-se a Côja ou, em última instância, ao serviço de urgências a funcionar no Hospital de Arganil.

S.B. - Então, que tipo de cuidados são prestados no Posto de Saúde, e por quem?
A.M. - Neste momento o Posto de Saúde da Benfeita está inactivo, o mesmo é dizer ENCERRADO! Os serviços de saúde desta zona do Concelho estão centralizados na vila de Côja, local aonde os utentes têm de se deslocar sempre que necessitam de cuidados médicos.

S.B. - Porquê? Havia muitos problemas no Posto de Saúde da Benfeita?
A.M. - Neste momento já não existem problemas no Posto de Saúde de Benfeita. O Ministério da Saúde cortou o mal pela raiz, desactivando o seu funcionamento!

Educação:

S.B. - Não havendo já em funcionamento qualquer Escola pública, na freguesia, como são resolvidos os problemas escolares dos jovens da Benfeita?
A.M. - Também esta área, sendo da responsabilidade do Governo, mereceu o mesmo tratamento que os CTT e o Posto de Saúde. Pura e simplesmente encerrou-se a Pré-escola e a Escola do Ensino Básico, promovendo a deslocação das crianças para a vila de Côja, cujo transporte diário é assegurado pela Câmara Municipal.

S.B. - Existe em curso algum plano de ocupação de tempos livres para a população sénior da freguesia da responsabilidade da Junta de Freguesia?
A.M. - Não! A Autarquia não dispõe de nenhum plano nesta área. Toda e qualquer actividade para ocupação dos tempos livres dos nossos idosos é promovida pelo Centro Social e Paroquial de Benfeita.

Os mandatos:

S.B. - Sente-se satisfeito com o trabalho realizado nos seus três mandatos? Em qual deles destaca maior actividade?

A.M. - Sinceramente, e de uma forma modesta, considero ter razões para me sentir satisfeito com o trabalho realizado, contudo não deixo de dizer que esperava ter ido mais longe. Todavia, congratulo-me por ver reconhecido que a não concretização de algumas obras, não se deveu à minha falta de empenho, vontade ou interesse. Fica-se sempre com o "sabor" de que poderíamos ter ido mais longe, mas a vida é mesmo assim, por isso no cômputo geral, digo que estou satisfeito.
Os três mandatos tiveram um grau de actividade semelhante. O primeiro ficou marcado pela estrada Pardieiros/Monte Frio e Praia Fluvial. O segundo, pela construção do Quiosque e pelo Caminho da Várzea. O terceiro pela estrada Benfeita/Pardieiros e pelo início da construção do parque de estacionamento, a par de outras intervenções, quer na Benfeita, quer noutras localidades da Freguesia.

S.B. - Quais são os principais problemas que acha que ainda têm de ser resolvidos na Freguesia?
A.M. - Não posso omitir a necessidade urgente da construção de uma ETAR, na Benfeita, e de soluções individuais nas diferentes localidades da Freguesia em matéria de saneamento, problema que eu procurei resolver, de forma insistente, ao longo dos três mandatos, mas… sem êxito!

Equipamentos sociais:

S.B. - Em relação aos equipamentos sociais, que tipo de intervenção está prevista para a antiga Escola Primária?
A.M. - Consumado o encerramento da escola, enquanto estabelecimento de ensino oficial, a Junta preocupou-se com a manutenção e preservação do edifício tendo proposto, e posteriormente celebrado com a Câmara Municipal, um contrato de comodato para a utilização do edificado. A partir daqui procurámos estabelecer uma parceria com os cidadãos da comunidade estrangeira, "oferecendo-lhes" a Escola para que ali pudessem ser ministrados os primeiros ensinamentos, à aprendizagem da língua portuguesa, procurando criar condições para que se legitimasse converter aquele espaço em estabelecimento de ensino doméstico, paralelo ao ensino oficial, como agora se designa e é aceite de forma oficial. Isto, porque a comunidade estrangeira manifestava-se relutante em concordar que os seus descendentes frequentassem o ensino oficial português.
Inicialmente, este projecto foi bem aceite e, de imediato, três senhoras, mães de crianças, tomaram conta das instalações e começaram a acolher as crianças, cujos pais quisessem aderir à iniciativa.
Entretanto, no Barril do Alva, já estava criada e estruturada uma unidade de ensino com estas características, e a ideia de criar uma segunda unidade, na Benfeita, não teve a adesão esperada pelo que este projecto desmoronou-se e sucumbiu à nascença.
Perante o crescimento inusual de procura dos nossos trilhos para a prática de desportos radicais, e simultaneamente a procura de espaços para dormir, considerou a Junta estarem reunidas as condições para dar nova utilização a este edifício, transformando-o em Albergue. É neste contexto que, de acordo com a Câmara Municipal e com a ADXTUR (Unidade de desenvolvimento da Rede de Aldeias do Xisto), se iniciaram os trabalhos de adaptação do edifício a esta finalidade, encontrando-se os trabalhos praticamente concluídos, embora estando-se ainda a aguardar a chegada do correspondente mobiliário.

S.B. - Relativamente ao Cemitério da Corga, prevê-se alguma intervenção no âmbito da sua ampliação e conservação?
A.M. - Neste momento estão criadas (ainda que de forma verbal) todas as condições para que se proceda à ampliação do cemitério, caso se torne verdadeiramente necessário. No entanto, é importante que se conclua previamente, todo o processo de clarificação, iniciado em 2007, antes de se avançar para essa decisão. Porque se trata de um assunto que encerra algum melindre, a população, ou os eventuais interessados, não têm manifestado muita disponibilidade para que este processo se conclua de forma serena e pacífica.
Por isso, a Junta, mantendo inabalável a linha de conduta, coerência e as regras implantadas desde o primeiro momento, não abdica de levar este processo até ao fim, para depois se concluir se é necessário, ou não, o seu alargamento.

S.B. - Tendo passado recentemente, a 7 de Maio, mais um aniversário sobre o fim da guerra na Europa, celebrado na Benfeita desde 1945 com as badaladas do Sino da Paz, que significado atribui a este evento, único no país, e que importância lhe dá no contexto nacional?

A.M. - Tratando-se de um acontecimento único no nosso país, só posso sentir-me regozijado por este legado histórico dos nossos antepasados, que evoca e celebra algo que é muito importante para a sociedade em geral, a Paz! Tanto mais, que o meu avô também foi combatente em França, na Primeira Guerra mundial. Mas, numa outra vertente, penso que a Benfeita, a nível do poder autárquico estabelecido, deveria procurar dar maior notoriedade a este evento, conferindo-lhe maior destaque e divulgação.

S.B. - A Casa Museu de Simões Dias, bem como a loja nela instalada, encontram-se encerradas já há algum tempo. Considera ter sido feito o necessário para dinamizar aqueles espaços, por forma a dar-lhes maior aproveitamento?
A.M. - Este é um tema que me deixa triste pois tenho consciência de que a minha intervenção não obteve o êxito espectável. Os contornos deste insucesso provocariam um relato extenso e fastidioso; por isso, em jeito de resenha diria que a parceria obtida entre: Câmara Municipal, ADXTUR, Junta de Freguesia e a artesã que iria ficar responsável pelo fabrico e comercialização do artesanato, não teve um cumprimento positivo e satisfatório por parte desta últiima.

S.B. - Está previsto algum melhoramento em relação à limpeza e preservação dos fontanários públicos?

A.M. - Não está prevista uma acção de fundo nesse sentido. Contudo, creio que os fontanários mais emblemáticos serão objecto de limpeza e recuperação. Acrescento que, a curto prazo, será um assunto a analisar e a discutir com maior profundidade, uma vez que até agora as pessoas não utilizam os fontanários para saciar a sede, mas sim para gastar água a custo zero de forma despreocupada e descontrolada na rega de jardins, plantas e hortas. E, como todos nós sabemos, a água é um bem precioso que começa a escassear e a sua utilização deve obedecer a critérios de boas práticas.

S.B. - A água canalizada da Benfeita é captada na Freguesia, estando a sua exploração e manutenção a cargo do Município de Arganil. Existe algum Sistema de Tratamento de água instalado? E com que periodicidade se procede à desinfecção e análise da água existente na rede de abastecimento de consumo doméstico?
A.M. - A partir de Janeiro de 2015, de acordo com a deliberação da ERSAR (Empresa Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos), a exploração da água passou para a responsabilidade da Câmara Municipal. Das negociações e compensações então ocorridas, resultou que ficava sob a responsabilidade da Junta de Freguesia a reparação de roturas, instalação e novos contadores e outros tipos de intervenção, tendo então ficado estabelecido um valor compensatório para esse desempenho.
A desinfecção é feita semanalmente e as análises periódicas, mensais, sob a égide do Município, de acordo com o protocolo celebrado com o laboratório.

S.B. - Como considera as infra-estruturas hidráulicas existentes, quanto à qualidade e estado de conservação, e como classifica a qualidade da água de abastecimento público?
A.M. - As estruturas estão em bom estado no que se refere à rede de distribuição dentro do perímetro da aldeia. Todas as condutas que transportam a água desde as nascentes até aos filtros da Lomba Aguda, foram parcialmente destruídas pelo incêndio de 15 de Outubro, nos seus cerca de 2500 metros de tubo. Neste momento já estão repostas as condutas das nascentes da encosta de Sardal, faltando repor as condutas para a nascente da Deguimbra.
A qualidade da água é boa, tal como o atestam os resultados analíticos feitos regularmente.

Cultura e desporto:

S.B. - Considera importante não deixar acabar as nossas antigas tradições, como os jogos tradicionais, os espectáculos com música e danças regionais, e os convívios, e fomentar a sua prática junto da população mais jovem, ou considera que as novas tecnologias como a internet e as redes sociais, trouxeram novos interesses aos jovens, ostracizando definitivamente o seu interesse pelo seu passado histórico, condenando as tradições culturais e desportivas a uma mera curiosidade histórica?
A.M. - O próprio Site da Benfeita sabe, pelas pesquisas que fez, que a população inscrita nos cadernos eleitorais de toda a Freguesia andará, actualmente, pelos 360 habitantes onde não se inclui um número desconhecido de estrangeiros, não registados, que vivem na mata. Importa acrescentar que desse número, seguramente, entre 60 a 70%, estão num escalão etário superior aos 60 anos. Logo, não há população jovem, e a pouca que há, nomeadamente a estrangeira, não tem qualquer afinidade ou interesse em manter essas antigas tradições.

S.B. - Em relação ao novo campo de jogos, também conhecido por "Espaço Polidesportivo", considera que está a ter o aproveitamento desejado, estando prevista a realização de algum evento especial ou o local apenas é utilizado no período de férias pelos nossos visitantes?
A.M. - O espaço é utilizado com alguma frequência, sobretudo para as crianças brincarem ou praticarem patinagem. Mas, é evidente, que é no período do Verão que o recinto tem uma utilização mais constante, nomeadamente com jogos de bola.

Final:

S.B. - Quais são, no seu entender, os projectos mais urgentes que a actual direcção da Junta de Freguesia da Benfeita, deveria priorizar no corrente exercício?
A.M. - Todos aqueles que vêm na sequência da programação anterior, dando continuidade a uma linha de acção que importa prosseguir, nomeadamente:
- Conclusão das obras do parque de estacionamento;
- Conclusão das obras do Albergue, na antiga Escola Primária;
- Instalação das ETAR´s da Benfeita e Pardieiros;
- Requalificação da estrada Portelinha-Benfeita;
- Construção do Parque de Merendas, na área da Fonte das Moscas (terrenos já adquiridos);
- Instalações sanitárias da Fraga da Pena;
- Construção de uma Unidade de Alojamento, na antiga Quinta do Dr. Urbano;
- Homologação dos percursos de Trail e BTT, nos espaços da Freguesia.
Enfim, há muita matéria para continuarmos a trabalhar com empenho e determinação na valorização da nossa Freguesia.

S.B. - Para terminar esta entrevista, que já vai longa e que muito lhe agradecemos, quer deixar alguma mensagem aos cidadãos da freguesia de Benfeita?
A.M. - Sim. Aproveito para agradecer a forma simpática e cordial como fui e sou tratado pela grande maioria dos habitantes de todas as aldeias da freguesia que espero não ter desiludido como Presidente da Junta, pois procurei sempre, tendo o diálogo como instrumento para a resolução dos problemas, satisfazer todas as solicitações que me foram apresentadas, embora tenha consciência de que não consegui resolvê-las na sua totalidade.
Ao meu sucessor, José da Costa Gonçalves Pinheiro, pessoa em quem reconheço as capacidades necessárias para um favorável desempenho do cargo, desejo as maiores felicidades e votos de bom trabalho, assegurando-lhe lealdade e apoio constante, no que for preciso.

Vivaldo Quaresma
Maio 10, 2018

Veja também:
A Junta de Freguesia