JOSÉ  SIMÕES  DIAS

Esta página mostra as notícias do funeral do poeta tal como foram publicadas em alguns jornais da imprensa lisboeta.

[Transcrição de Vivaldo Quaresma]

Fonte: Jornal "O Século"
Data: 5 de Março de 1899 (Pág.4)

Dr. José Simões Dias

Sepultou-se ontem no cemitério dos Prazeres o cadáver do sr. José Simões Dias, o pranteado poeta cuja morte veio surpreender dolorosamente admiradores e amigos. O préstito saiu pelas 2 horas da tarde da residência do extinto, na rua Estefânea, 2 A.

Sobre um carro de colunas negro, tirado a duas parelhas, foi colocada a urna funerária, sobre a qual foram depostas as seguintes coroas:

De violentas e junquilhos. «Ao seu primo e amigo, o arcediago Simões Dias».

De violetas, amores perfeitos, lilases, fitas de "moiré" escarlate. «Ao trovador das "Peninsulares", visconde Sanches de Frias, Damião G. Figueiredo».

De violetas, rosas e fitas roxas. «A seu irmão e cunhado, António e Carolina».

De violetas e jasmins, com fitas pretas. «A seu querido pai e sogro, Judith e Carlos».

De violetas e fitas brancas. «Ao seu grande mestre e colaborador. "A Educação Nacional"».

De violetas, amores perfeitos, saudades e fitas pretas. «Ao seu dedicado amigo José Simões Dias. O padre Henrique de Andrade».

De violetas, rosas e jasrnins. «Os alunos do Liceu do Carmo, 3-3-99. Ao seu saudoso professor José Simões Dias».

De violetas, rosas e jasmins. «Os alunos do período transitório do Liceu de Lisboa. Ao grande poeta e nosso querido professor, Dr. José Simões Dias».

O préstito foi acompanhado por grande número de amigos e pessoas das relações do finado e chegou debaixo de uma chuva torrencial ao cemitério dos Prazeres, onde o aguardavam bastantes alunos do Liceu de Santos, em que Simões Dias leccionava Literatura.

O cadáver ficou depositado no jazigo do sr. Júlio César dos Santos, representando a família e dirigindo o funeral o particular amigo do finado visconde de Sanches de Frias, que também representava a Educação Nacional, do Porto, como o Dr. Cândido de Figueiredo representava o Instituto de Coimbra, em harmonia com um telegrama do sr. conselheiro Bernardino Machado, que de manhã recebeu.

O cadáver foi velado, durante a noite, pelos alunos do liceu. O cortejo era composto de grande número de carruagens, nas quais tomavam parte, entre outros, os srs.:

Dr. José Maria Rodrigues, Júlio César dos Santos, Augusto C. Barjona de Freitas, Cândido de Figueiredo, Caetano Ferreira, José de Almeida, F. Teixeira de Queirós, José do Carmo e Sousa, Alberto Vermuele, Arsénio de Mascarenhas, Natal Garcia, Artur Montenegro, Victor Ferreira, José Maria Monge, João Paula Santos, Agostinho Lúcio e Silva, Filipe Silva, António Maria Teixeira, Tavares Cardoso e irmão, Alfredo Barjona, Antonio G. Mártires, Luís de Melo, Bandeira Coelho, Luís Osório, António Serrão Franco, Aparício Palma, José dos Reis, Fernando A. C. Barros, Costa Ventura, João Feio Folque, Manuel Graínha, Victor E. A. Faria, João de Meneses, António Marinho da Cunha, Trindade Coelho, Roberto de Oliveira Pinto, António L. P. de Almeida, João Carlos da Silva, Armando Satyro Lizardo, A.Nogueira Souto, António J. da Costa, Artur da Costa, Viriato da Fonseca Rodrigues, João Crespo de Lacerda, Manuel J.M.Júnior, Joaquim Freire, Mota Veiga, António J. de Andrade, Teodoro Carmona, Júlio de Matos, Américo Carvalho, Manuel J. Marques, José L. S. da Costa, F. Francisco Lino, Francisco L. de Oliveira, António J. de Carvalho, padre Luís A. Gomes Freire, Teodoro Manuel Xavier, Mota Veiga Júnior, António Joaquim de Andrade, Júlio Alberto Vidal, Pedro Eusébio Leite, Guilherme A. M. Alves, José Ramos, Alípio da Mota Veiga, A.S. da Silva, J.N. Raposo Botelho, Tomás Ribeiro, lsidro Aranhão, Custódio José Vieira, Vasco de Mendonça Alves Aires, M. de Lacerda Maia, Profírio H. da Fonseca, José Sarmento Osório, Jerónimo M. Vale e Adolfo M. Vale, etc.

No cemitério organizaram-se vários turnos, pegando às borlas os alunos do Liceu de Santos e do Carmo, e os srs. António Maria Teixeira, representante da casa editora Tavares & Cardoso, conselheiro Morais de Almeida, Oliveira Simões, visconde de Sanches de Frias, Dr. Cândido de Figueiredo, Delfim de Brito Guimarães, Luís da Silva, Alberto Pimentel, Dr. Nogueira Souto, reitor do liceu, Bandeira Coelho, Trindade Coelho, Dr. Lima, Francisco Ravasco, conselheiro Costa Ventura, Sousa Teles, etc., etc.

Vai fazer-se uma nova edição das Peninsulares, que deve aparecer no próximo dia 15, prefaciada pelo visconde de Sanches de Frias e com uma fotogravura de Simões Dias.

Que descanse em paz o ilustre morto.

Fonte: Jornal "Diário de Notícias"
Data: 5 de Março de 1899 (Pág.1)

O enterro de Simões Dias

Ficou ontem depositado no cemitério dos Prazeres, no jazigo do sr. Júlio César dos Santos, o cadáver do eminente poeta e distinto professor José Simões Dias.

A natureza foi cruel para com ele. Um poeta devia morrer num dia de primavera, e a chuva que caísse sobre o seu esquife, devia ser uma chuva de flores. Não sucedeu, porém, assim. O dia de ontem, de verdadeiro inverno, tornou ainda mais triste e melancólica a lutuosa cerimónia.

Foi todavia uma comovedora manifestação o saimento de Simões Dias. Junto do seu túmulo não foram proferidos discursos, mas o falecido dispensou bem essas honras efémeras, consagradas geralmente aos que fizeram muito ruído, durante a vida, e que nada deixaram digno de lhes perpetuar a memória. Invisíveis harpas eólias lhe entoararn sem dúvida o adeus da despedida. O poeta das Peninsulares tem o seu mais glorioso epitáfio e a sua mais honrosa apologia nos deliciosos cantos que arquivou nessa preciosa colecção.

Bem posto o nome de Peninsulares a esse cancioneiro, onde transborda exuberante a alma do poeta, que tão admiravelmente soube traduzir, em algumas das suas mais mimosas composições, o sentimento e a ingenuidade popular.

Apesar do mau tempo, o enterro de Simões Dias foi muito concorrido, o que não admira, sendo numerosos os amigos que ele grangeara em vida, não só pelas altas qualidades do seu talento como pelos dotes excepcionais do seu carácter. O seu espírito e a sua bondade formavam harmoniosa equação. A classe académica - honra lhe seja! - prestou também a sua dedicada homenagem ao benemérito professor e apóstolo da instrução.

Sobre o féretro foram depostas as seguintes coroas:

De violentas e junquilhos. «Ao seu primo e amigo, o arcediago Simões Dias».

De violetas, amores perfeitos, lilases, fitas de "moiré" escarlate. «Ao trovador das "Peninsulares", visconde Sanches de Frias, Damião G. Figueiredo».

De violetas, rosas e fitas roxas. «A seu irmão e cunhado, António e Carolina».

De violetas e jasmins, com fitas pretas. «A seu querido pai e sogro, Judith e Carlos».

De violetas e fitas brancas. «Ao seu grande mestre e colaborador. "A Educação Nacional"».

De violetas, amores perfeitos, saudades e fitas pretas. «Ao seu dedicado amigo José Simões Dias. O padre Henrique de Andrade».

De violetas, rosas e jasrnins. «Os alunos do Liceu do Carmo, 3-3-99. Ao seu saudoso professor José Simões Dias».

De violetas, rosas e jasmins. «Os alunos do período transitório do Liceu de Lisboa. Ao grande poeta e nosso querido professor, Dr. José Simões Dias».

No cemitério formaram-se vários turnos, pegando às borlas:

Os alunos do Liceu de Santos e do Carmo, e os srs. António Maria Teixeira, representante da casa editora Tavares & Cardoso, conselheiro Morais d'Almeida, Oliveira Simões, visconde de Sanches de Frias, Dr. Cândido de Figueiredo, Delfim de Brito Guimarães, Luís da Silva, Alberto Pimentel, Dr. Nogueira Souto, reitor do liceu, Bandeira Coelho, Trindade Coelho, Dr. Lima, Francisco Ravasco, conselheiro Costa Ventura, Sousa Teles, etc., etc.

O sr. Dr.Cândido de Figueiredo recebeu incumbência, pelo telégrafo, para representar o Instituto de Coimbra.

Grémio do professorado livre português

Os corpos gerentes desta agremiação vão no próximo domingo 12 do corrente, colocar uma coroa sobre o túmulo do ilustre professor, sócio honorário do Grémio, em manifestação de pesar pela sua irreparável perda.