CHAFARIZES  DA  BENFEITA

Antes de haver água canalizada nas casas da Benfeita, melhoramento que só se concretizou em Agosto de 1957, devido ao esforço e dedicação de Alfredo Nunes Santos Oliveira, então Presidente da Junta de Freguesia, a água era recolhida nos chafarizes públicos, em bilhas de barro e transportadas à cabeça, para dentro de casa, onde era transvazada para potes ou talhas de maior capacidade.

Chafariz à entrada da povoação Chafariz na rua interior
Chafariz junto à Capela da Senhora da Assunção Chafariz do Lagar

Esta pesada tarefa era desempenhada, normalmente, pelas mulheres da casa, muitas vezes ajudadas pelas mais novas, com cântaros e vasilhas de formato mais reduzido.

Chafariz na Senhora dos Caminhos Charafiz do Tanque
Bebedouro no antigo campo da bola Chafariz no edifício da Junta de Freguesia

Foram épocas difíceis que, hoje, dificilmente são imagináveis pelos mais jovens, habituados que estão a verem a água jorrar das torneiras, dentro de suas casas.

Ter um chafariz perto de casa era uma aspiração legítima de cada um, principalmente daqueles a quem a tarefa de "ir buscar água à fonte" estava destinada.

Nos campos eram as bilhas e as moringas que, cheias de água fresca, saciavam a sede aos nossos avós, embora o vinho fosse, sem dúvida, a bebida mais consumida, na época.

Muitas raparigas "mediam as suas forças", em alegres corridas de cântaro cheio à cabeça e muitas discussões mais acaloradas terminavam com as bilhas partidas.

Chafariz da Praça Simões Dias

O primeiro chafariz público da Benfeita foi inaugurado em 1932, na Praça Simões Dias e deveu-se à iniciativa e empenhamento pessoal de Firmino Simões Quaresma, presidente da Junta de Freguesia, entre 1928 e 1930.

Chafariz do Jardim Infantil

Chafariz no Oiteiro

Chafariz no Oiteiro

Chafariz no Oiteiro

Hoje, os chafarizes da Benfeita, são o testemunho vivo dessa época; porém, embora estejam todos operacionais, já perderam a dignidade de outrora, devido à falta de uso. Apenas lhes resta uma função decorativa, pese embora o facto de quase todos serem bem simples de desenho e construção. 

Já se não vêem as alegres filas de raparigas à espera, nos chafarizes mais procurados, nem os cântaros à cabeça. Agora, embora haja água em abundância nas torneiras, dentro de casa, há quem prefira a água comprada nos supermercados, longe da Benfieta, em garrafões de plástico. E os chafarizes lá vão servindo, de vez em quando, para regas ou para lavagem de carros, bem contra a vontade da autarquia.

Chafariz de São Bartolomeu Chafariz da Senhora das Necessidades

Antes da existência dos chafarizes, a água de beber era captada em velhas fontes, onde era muitas vezes insuficiente e sujeita a inquinações. A água para outros fins era recolhida directamente da ribeira ou das levadas, sendo transportada do mesmo processo, com cântaros à cabeça, sobre uma velha rodilha de pano.

Fotos e texto de V.Quaresma

Jornal de Arganil - 18/04/1963

Foi inaugurado na BENFEITA

MAIS UM NOVO CHAFARIZ

BENFEITA, 14 - A Benfeita tem a partir de hoje mais um chafariz.
Conforme referimos numa das últimas correspondências, o sítio da "Perna de Pau", no Bairro de Santa Rita, distava do mais próximo chafariz - o do Tanque - cerca de 100 metros, mas de caminho bastante difícil, pela ingremidade da ladeira que os liga.
Algumas pessoas aspiravam a ver no local um fontanário, para benefício das cinco ou seis famílias ali residentes e, nesse sentido, se dirigiram à junta de freguesia, oferecendo-se para comparticipar nos encargos do melhoramento.
Apresentado o pedido, logo a junta deliberou deferi-lo e com a melhor boa vontade e rapidez, se realizaram os trabalhos necessários para que a água começasse a abastecer a "Perna de Pau", no domingo de Páscoa.
E assim sucedeu, efectivamente, tendo presidido à cerimónia, que nem por ter sido muito simples deixou de ser curiosa e interessante, o sr. Dr. Mário Mathias, acompanhado pelos restantes membros da junta, pelo sr. padre Joaquim da Costa Loureiro, digno pároco da freguesia, pelo sr. Dr. Salvador Rodrigues Prata, sub-director do Instituto Nacional de Sangue, do Hospital Santa Maria de Lisboa, agora a férias na Benfeita; e pelos Srs. António Bernardo Branco, António Bernardo Quaresma, José da Costa Prata, Matias Simões, José Augusto Martins, Alberto Dias Quaresma, César Prata, António Alberto Martins, José Carlos das Neves, Raúl dos Santos, José Feiteira, Manuel Simões, Eduardo Dias Quaresma e muitos outros cavalheiros e senhores.
Quando o povo e as autoridades se dirigiram para o novo chafariz, a menina Maria Simões, uma das pessoas que, diária e repetidamente vinha ao chafariz do Tanque, encheu neste um cântaro de água - o último seguramente que levava daquele chafariz - e, pondo-o à cabeça, como era costume, seguiu no cortejo até à "Perna de Pau".
O novo chafariz  estava escondido com uma bonita colcha e enfeitado com vasos de flores. Usando da palavra o sr. presidente da junta disse que aquele melhoramento nascera, afinal, do amor filial do sr. Manuel Simões que, desejando ver o bairro onde moravam seus pais e irmãos com um fontanário próprio, que os poupasse da ladeira de Santa Rita, se prontificara a custear as despesas da construção do fontanário, propriamente dito, que ficou em granito.
Logo que tomara conhecimento desta simpática atitude e de que os moradores se prontificavam também a auxiliar a abertura da necessária vala, reunira a junta, resolvendo esta custear o encargo de canalização e outros mais que houvesse a fazer.
Elogiando a atitude do sr. Manuel Simões, disse ainda que bem desejaria que todos os habitantes da Benfeita, ou da freguesia, que quisessem ver as suas terras melhoradas ou engrandecidas, se dirigissem sempre, sem acanhamento, à sua junta de freguesia porque, pelo menos, enquanto fosse o seu presidente, esse corpo administrativo a todos ouviria com o melhor interesse e os atenderia sempre que possível fosse.
Em seguida a menina Maria Simões despejou o cântaro que trouxera cheio do chafariz do Tanque, agora desnecessário e tendo o sr. Dr. Mário Mathias convidado a menina Ana Maria Correia Rodrigues Prata, a destapar o fontanário e a Sr.ª Conceição Feiteira da Costa - por ser a mais velha moradora no bairro - a abrir pela primeira vez a torneira, enchendo-se assim o primeiro cântaro ali colocado que era, precisamente, o último que fora cheio no chafariz do Tanque.
Este acto foi sublinhado por uma forte e prolongada salva de palmas e pelo rebentar de alguns foguetes.
A cerimónia da inauguração deste pequeno melhoramento, de grande valor, porém, para os moradores do Bairro, terminou simpaticamente, por um grupo de gentis meninas servirem, a todos os presentes, bolos variados e apetitosos e vinhos de diversas qualidades.



Chafariz da Perna de Pau
Chafariz da "Perna de Pau", aos 50 anos de idade.