BENFEITA.BLOG.2019



SITE DA BENFEITA - 09/06/2019

A FESTA DO SANTÍSSIMO

Missa na Igreja de Santa Cecília

Depois das cerimónias religiosas na Igreja de Santa Cecília, presididas pelo Padre Daniel Rodrigues e acompanhadas pela experiente e centenária Filarmónica Pátria Nova, de Côja, teve início a procissão do Santíssimo Sacramento pelas ruas da aldeia. Esta, já não desceu a Rua do Fundo nem subiu a do Rancho dos Manjericos, como era habitual, tendo atravessado a Praça Simões Dias e seguido directamente pela António Nunes Leitão para evitar aquele sinuoso, estreito e difícil percurso de que tanto se queixavam as pessoas mais idosas.

No Salão da Liga de Melhoramentos realizou-se um almoço de confraternização organizado pelos mordomos da festa, o Arlindo Simões e os irmãos "Piriscas", o Jorge e o Vítor Simões. Nele foi servido um farto e apetitoso almoço confeccionado por 3 senhoras do Casal de São João, a Maria Natália (mulher do Arménio Santos), a Maria Helena (mulher do João Alves) e a Lúcia Santos (mulher do Jorge Santos).

O almoço era composto por sopa de legumes, chanfana de borrego com batata cozida e salada, e carne de porco assada, bem acompanhado com vinho (tinto e branco), sumos engarrafados e sobremesas diversas (pão-de-ló, bolo de chocolate e um maravilhoso arroz-doce), este sim, quanto a mim (e sou um apreciador bastante exigente) o melhor arroz-doce do mundo! A cozedura, a textura e o sabor, estavam no ponto "X", difícil de atingir e só conseguido por algumas senhoras cá da terra. O sal e a casca de limão estavam lá, mas não se dava conta deles, e, conjuntamente com o pó de canela, suavemente espalhado, emprestavam ao leite, ao açúcar e ao arroz um paladar inesquecível. Com algum exagero meu, poderia mesmo dizer que, só o arroz-doce merecia os 10 euros que custou toda a refeição!

Depois do almoço, o José Estrela, das Luadas, pregoeiro habitual de serviço, brindou-nos com um divertido e entusiasmante leilão, a lembrar os tempos de antigamente, em que só o seu acontecimento constituía a principal atracção da festa, pelos agradáveis momentos que proporciona e porque constitui uma fonte de receita adicional, para a organização.

Passagem na Capela
Passagem no Largo da Oliveira
Passagem no Largo da Oliveira
Actuação da Banda, no Quiosque

Na parte da tarde, a antiga banda filarmónica de Côja, agora mais jovem e renovada, interpretou o seu repertório musical no recinto Entre-Águas, junto à ribeira, num simpático concerto que agradou à assistência que, tranquilamente, descansava na esplanada do Quiosque.

Feitas as contas, a organização não lamentou qualquer prejuízo e a assistência, embora cada vez mais reduzida, ficou satisfeita, neste Domingo de fim-de-semana prolongado que muita gente terá aproveitado para inaugurar a sua época de praia.

VIVALDO QUARESMA


A COMARCA DE ARGANIL - 30/05/2019

AS VOLTAS DO "PEREGRINO" VIVALDO QUARESMA

(Artigo de opinião, por Carlos da Capela)

Por isso eu vos saúdo,
Por isso eu vos bendigo,
Lugares que me fostes
Berço, consolo e abrigo!


[José Simões Dias, "A volta do Peregrino", in Peninsulares, 5ª edição, 1899]

Vivaldo Quaresma mantém há já vários anos uma página na Internet sobre a Benfeita, no endereço http://www.benfeita.net/, serviço inestimável que todos os benfeitenses deviam agradecer pelo excelente e oportuno trabalho que o autor faz por amor à sua e à nossa terra.

Nesse sítio digital está guardado e disponibilizado para todos, muito da história da nossa aldeia. Por essas páginas desse admirável novo mundo, quantas histórias contadas e por contar; quantos episódios, quantas peripécias, quantos nomes, quantos sítios que fazem parte do nosso imaginário e da nossa matriz que não fosse Vivaldo Quaresma estariam para sempre perdidos! Bastaria isto para homenagearmos hoje e lembrarmos a todos o nome deste benfeitense ilustre.

Vida e obra de Simões DiasEntre os muitos trabalhos que vai afanosamente colocando neste site, queria hoje destacar a investigação que tem vindo a fazer sobre a vida desse maior benfeitense que até hoje é a figura primeira e de maior relevo que nasceu nesta belíssima terra que dá jus ao seu nome, Benfeita. Refiro-me, como todo o bom benfeitense já percebeu, ao poeta José Simões Dias, aqui nascido no longínquo ano de 1844, mas que ao mesmo tempo continua tão perto do coração dos benfeitenses. E nunca ninguém como ele escreveu tão bem-feitas páginas sobre a nossa amada terra.

Quem como ele cantou os verdes destes campos ou a saudade da terra perdida, quem como ele nos trouxe os sons da velha rameira e o estrondo dos zabumbas nos braços fortes de um lavrador de cá? Ele próprio disse "desculpem-me o deambular pela minha terra, mas em começando a falar da Benfeita...".

Sobre o poeta muitos já escreveram, muita biografia já existe, muitos estudos já se fizeram. Não podemos deixar de referir os trabalhos pioneiros de Henrique d'Andrade, o primeiro biógrafo do poeta, e de Sanches de Frias, autor de diversos textos sobre o poeta e prefaciador da 5ª edição das "Peninsulares". Mas outras personalidades escreveram sobre Simões Dias ao longo do tempo, até aos dias de hoje. Importa dizer os nomes de Cândido de Figueiredo, com diversas referências críticas, Teófilo Braga, Magalhães Lima, Mário Mathias, com exaustivos e imprescindíveis trabalhos na imprensa dedicados ao poeta e pedagogo (nomeadamente na Comarca de Arganil), Vasconcelos de Carvalho, organizador em 1944 de uma homenagem ao escritor promovida pela Casa da Comarca de Arganil e a Casa das Beiras, José Lencastre, Maria Manuel Mariano, com a sua tese de licenciatura sobre a hispanofilia de Simões Dias, Vasco Campos, Antonio G. Matoso, Adelino Quaresma, o laureado poeta António de Sousa, com uma notável conferência, Amândio Galvão, com vários artigos publicados aqui na Comarca, Maria Assumpta Coimbra, na Arganília, e Luísa Carvalho, no livro "O Ensino do Português: como tudo começou", com textos de Simões Dias, enquanto pedagogo, Luís Valle, José Macedo, António Joaquim e Carlos da Capela.

Cabe também a honra à Editorial Moura Pinto de ter publicado coisa nova e única, o estudo do professor, escritor e investigador de literatura Nelson Bandeira "Esse chorar contínuo do infinito: Don Juan, o amor e Simões Dias". Refiro este livro por ser, na bibliografia sobre o autor benfeitense, um trabalho singular, com perspectiva inovadora, acerca do poeta e da sua escrita.

Também não podia deixar de referir a publicação da edição fac-similada da 5ª Edição das "Peninsulares" publicada em 1999 pela mesma Editorial Moura Pinto à qual se deve de facto toda a iniciativa para a publicação deste trabalho, louvável atitude tendo em conta que há muito estava esgotada no mercado a obra-mestra do poeta. Assim, só por este modo foi permitido um maior conhecimento da sua poesia por parte dos nossos contemporâneos.

De resto, é esta a maior homenagem que os benfeitenses fizeram e podem continuar a fazer ao maior de todos nós: lê-lo, estudá-lo e divulgá-lo. Foi sempre com e pelo seu nome que os benfeitenses realizaram as suas mais dignas e inesquecíveis páginas de cultura e de amor à terra e de orgulho de pertença a esta comunidade.

Também Vivaldo Quaresma persegue caminhos pouco estudados para um maior conhecimento da biografia e bibliografia do autor de "O Mundo Interior", "Figuras de Cera" e de "Espanha Moderna". Para isso, vem estudando o período da vida do poeta na cidade de Elvas, onde Simões Dias ensinou, polemizou, escreveu e foi figura proeminente no meio cultural da Elvas de então. Espera-se em breve um pequeno livro, em parceria com outro benfeitense, que incidirá sobre a vida do poeta das Peninsulares nessa belíssima cidade alentejana. Louvam e esperam ansiosos por este trabalho todos os benfeitenses, trabalho que vai acrescentar um maior conhecimento sobre o autor de "A Hóstia de Oiro" (poema herói-cómico publicado precisamente em Elvas, no ano de 1869).

Todos nós benfeitenses e amigos da Benfeita, orgulhosos de pertencermos à terra de Santa Cecília, agradecemos penhoradamente o trabalho dedicado e insubstituível de Vivaldo Quaresma que, hoje e sempre, sob o lema de Simões Dias, vive e sente a Benfeita como "berço, consolo e abrigo".

CARLOS DA CAPELA


SITE DA BENFEITA - 19/04/2019

OS CTT NA JUNTA DE FREGUESIA

Passaram 15 anos sobre a entrada em funcionamento do Posto dos CTT da Benfeita, na Junta de Freguesia!

A população, de uma maneira geral, sente-se satisfeita porque, afinal, é um Posto de Correio que faz praticamente a mesma coisa que fazia a anterior Estação, no que respeita ao serviço postal, encomendas, apartados, pagamento de vales postais, recebimento de facturas, como telefone e electricidade, etc.

A relação de proximidade com a população foi mantida e os funcionários (Rita e Ricardo) são simpáticos e conhecidos de todos… enfim, uma família!

Mas, os CTT continuam a fechar estações de correios em todo o país e a contratar serviços alternativos com as Juntas de Freguesia e outras entidades, embora nem sempre estas decisões sejam pacíficas e haja sempre quem não goste das soluções encontradas e continue a defender que o serviço público postal deveria ser assegurado pelos CTT.

Na Benfeita, pelo menos na parte que interessa à população, a solução encontrada foi satisfatória e não trouxe quaisquer constrangimentos; já quanto ao resto… na parte relativa aos compromissos assumidos com a Anafre, a renda mensal paga pelos CTT continua a ser de 450 euros e não está a ser actualizada como inicialmente estava previsto, não dando para cobrir os custos com o pessoal, despesas de funcionamento e consumos, pelo que a Junta de Freguesia não está totalmente satisfeita com o incumprimento do protocolo e considera estar a financiar os CTT!

Balcão de atendimento público
Entregas diárias

Opinião de uma funcionária do Posto:

Ana Rita GonçalvesAna Rita Martins Gonçalves confirma o carinho e a simpatia que tem recebido por parte dos seus clientes, nacionais e imigrantes estrangeiros, especialmente os mais idosos, e garante não haver necessidade de dotar o Posto com outros serviços adicionais pois não teriam qualquer solicitação. Mais acrescenta que a proximidade entre os dois espaços, o anterior e o actual, que não chega a ser de 100 metros, é de tal modo insignificante que acabou não causando qualquer incómodo a ninguém.

Opinião do Presidente da Junta de Freguesia:

Cliente actualO Sr. José Gonçalves Pinheiro, confirma a satisfação generalizada dos utentes do Posto de Correios pela variedade e qualidade dos serviços prestados; que o período de funcionamento está a ser cumprido e que não se registou qualquer necessidade em o alargar; que os espaços da zona de serviço e dos clientes é perfeitamente suficiente; e que as instalações são confortáveis e têm fácil acesso, mesmo para pessoas com mobilidade reduzida.
Apenas o já limitado orçamento da Junta de Freguesia está a ser, ainda mais prejudicado, com a inclusão do Posto dos CTT!

Opinião da Dona do Prédio:

Dona do prédioA Srª. Lucinda Dias, dona do prédio onde esteve instalada a Estação de Correios da Benfeita, especialmente mandado construir para o efeito pelo seu marido, Alberto Bernardo Dias, sob projecto e orientação dos CTT, e inaugurado com grande pompa e foguetório, considera uma pena o encerramento das instalações porque durante os 38 anos que lá estiveram pagaram sempre a renda, embora ridícula, mas agora ficou com um edifício devoluto que ninguém quer comprar, por precisar de obras e alterações e não ter sido previsto qualquer tipo de indemnização compensatória por denúncia do contrato de arrendamento.

Alfredo Martins, anterior Presidente da Junta de Freguesia, ainda quis dotar a oferta de serviços à população, na sua gestão anterior, com a instalação de uma Caixa Multibanco no edifício da Junta, já que a mais próxima se localiza a 9 quilómetros, em Côja, mas o estudo económico realizado para o efeito revelou custos excessivos e incomportáveis para os fracos recursos disponíveis, razão pela qual este seu projecto (ainda) não se concretizou.

Todos afirmam que seria, certamente, uma mais-valia para os habitantes de toda a freguesia, visitantes em férias e passantes ocasionais, desde que estivesse protegida, claro, contra o risco de assalto, embora antecipadamente também lhe reconhecessem uma utilização pouco frequente.

Em conclusão: Para quê dar uma quinta pata a um gato, se ele caminha bem com as quatro que já tem?

VIVALDO QUARESMA

Veja também:
CTT na Junta de Freguesia


SITE DA BENFEITA - 29/03/2019

DR. MARCELLO MATHIAS


No próximo dia 9 de Junho passam 20 anos sobre a morte do Dr. Marcello Mathias, diplomata ilustre, oriundo da Benfeita, filho de Leonardo Gonçalves Mathias e de Maria d'Assunção Nunes Duarte Mathias, ambos nascidos, falecidos e sepultados na nossa terra.

Marcello Mathias nasceu em Lisboa, lugar onde estudou e se formou, e onde residiu durante vários anos, embora se referisse sempre à Benfeita como sendo a sua terra. Aqui tinha uma casa e era bem recebido sempre que cá se deslocava, nunca se negando a contribuir com significativos donativos sempre que a isso era solicitado sendo a sua generosidade muito apreciada. Mercê das suas funções diplomáticas, também residiu vários anos fora do País.

Marcello Gonçalves Nunes Duarte Mathias, ou, para melhor entendimento, Marcello Mathias I, deu seguimento a uma distinta e prestigiada sucessão de gente ilustre benfeitense, iniciada por seu pai Leonardo Gonçalves Mathias (Leonardo Mathias I), que foi funcionário do Ministério das Finanças, constituindo uma verdadeira "dinastia" de diplomatas, começando por ele próprio, que foi Embaixador de Portugal, em Paris, e Ministro dos Negócios Estrangeiros; seguindo-se os seus dois filhos: Leonardo Charles de Zaffiri Duarte Mathias (Leonardo Mathias II), licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas, que foi embaixador de Portugal em Bagdad, Washington, Brasília, Madrid e Paris, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Representante Permanente junto da Comunidade Económica Europeia; e Marcello Zaffiri Duarte Mathias (Marcello Mathias II), licenciado em Direito, que foi Embaixador de Portugal em Nova Dehli, Buenos Aires e na UNESCO, e não residente no Nepal, Sri-Lanka e Bangladesh e Cônsul Geral em Nova Iorque.

Seguiram-se os seus 3 netos: Leonardo Bandeira de Mello Mathias (Leonardo Mathias III), licenciado em Gestão de Empresas/Finanças Internacionais e Marketing, que foi Secretário de Estado Adjunto e da Economia (Cavaco Silva / Passos Coelho); Marcello Vaultier Mathias (Marcello Mathias III), licenciado em Direito, que foi Adjunto Diplomático do Gabinete de Paulo Portas e Cônsul-Geral de Portugal em Bordéus; e Nuno Vaultier Mathias, licenciado em Direito, que foi Cônsul-Geral de Portugal em São Francisco e membro da Missão Permanente de Portugal junto da ONU, em Nova Iorque.

Não esquecendo, claro, o Dr. Mário Mathias, o filho mais velho de Leonardo Mathias I, que foi advogado em Lisboa e Secretário-Geral do Governo Civil da Horta, Portalegre, Aveiro e Santarém, e Adjunto do Director-Geral da Administração Política e Civil, e do seu neto, o Eng.º José Mário Matias Teixeira Parente, engenheiro civil, e docente do ensino superior, na Universidade Lusíada, de Lisboa.

Placa toponímica de uma rua no EstorilPor razões mal compreendidas, o Embaixador Marcello Mathias I, não mereceu honras toponímicas na aldeia onde tem as suas raízes, como aconteceu com o seu pai Leonardo Mathias I e com o seu irmão Mário Mathias, embora lhe tivesse sido dada tal distinção honorífica no local onde faleceu, no bairro de Santo António, Estoril, concelho de Cascais, e onde viria a mandar construir um jazigo de família no Cemitério do Estoril.

Esta merecida homenagem de reconhecimento público nunca chegou a verificar-se na Benfeita, muito provavelmente, por ter sido uma grande figura da diplomacia do Estado Novo, muito próxima de Salazar, situação que poderá ter determinado que o seu nome tivesse sido intencionalmente "esquecido" por alguma mente mais radical do pós 25 de Abril.

Mas, um alto dignitário que exerceu as suas funções com lealdade e competência, durante o Governo deste ou daquele, não pode ser avaliado em função da maior ou menor simpatia pelo político com quem trabalhou, deixando de ser uma personalidade altamente estimável e sendo-lhe vedado o merecimento de qualquer distinção pública, na sua terra.

VIVALDO QUARESMA

Veja também:
Biografia



 OUTROS ANOS: