BENFEITA.BLOG.2001



A COMARCA DE ARGANIL - 06/12/2001

A nova moeda e os costumes

Esteve na Benfeita, onde prestou uma sessão de esclarecimento sobre a mudança do escudo para o euro, o Dr. Miguel Ventura, da Associação de Desenvolvimento de Góis e da Beira Serra (ADEBER) a que assistiram mais de cinquenta pessoas, algumas vindas das povoações da freguesia, que consideraram de proveitosa a informação.

Para além disto o Grupo Coral da Benfeita realizou no passado domingo um magusto, que teve lugar no largo do Areal, junto à sede da Junta de Freguesia, com a finalidade de unir as pessoas em convívio. Associou-se o Centro Social Paroquial da Benfeita e a Dr.ª Maria do Rosário Pimental incentivou os utentes a estarem presentes e o padre António Dinis celebrou a missa dominical. Às 14:30 horas e após a missa foi então que muita gente se reuniu em torno dos fogareiros onde as belas castanhas assadas atraiam os presentes e proporcionaram um animado convívio. A pinga não faltou e houve ainda muito e bom caldo verde.

Entretanto terminou a apanha da azeitona que este ano, não tendo sido abundante, o azeite é de boa qualidade.

O São Martinho, que em tempos idos era festejado na nossa terra com alguma animação, especialmente com magustos e abertura do pipo do vinho novo, este ano pouco ou nada se notou.
Era hábito, depois da visita às adegas, juntarem-se os homens nas tabernas onde pela noite havia sempre um que tomava uma dose maior e por vezes cambaleava, passando a ser "juiz" até ao próximo ano.
Todos estes costumes vão acabando!

Nos Hospitais da Universidade de Coimbra, foi submetido a uma melindrosa operação cirúrgica o nosso conterrâneo José Bernardo Quaresma. Tendo já regressado a casa está entregue aos cuidados de sua filha Arlete Martins Quaresma Almeida, residente em Coimbra, e a quem desejamos boas melhoras.

ARTUR NUNES DA COSTA


A COMARCA DE ARGANIL - 15/11/2001

Aproveitar as potencialidades e eliminar dificuldades

António Quaresma MartinhoAntónio Quaresma Martinho é um bom exemplo de um fenómeno novo que se passa nas terras do interior, fenómeno que não está ainda estudado e, muito menos, aproveitado. Ou seja: é sabido que nas últimas 4 décadas se acentuou a desertificação do mundo rural, mas que também nos últimos anos se tem verificado um regresso de muitos dos que um dia partiram, alguns para terras distantes.

Tem isto a ver com a nítida melhoria das condições de vida das nossas aldeias, condições que permitem, de facto, o gozo das reformas, após uma vida de trabalho com inegável qualidade de vida.

Na maioria dos casos quem regressa traz saber e experiência, factores que bem poderiam ser aproveitados para o necessário desenvolvimento das nossas terras.

E se nalguns casos se nota ainda algum farisaísmo, verdade se diga que em Benfeita reside um bom exemplo de como o interesse colectivo é capaz de suplantar egoísmos e orgulhos dos pequenos deuses caseiros.

Vestígios abundantes indiciam uma antiguidade muito longínqua desta aldeia que, ainda muito antes de ter uma ligação (física) aceitável com o mundo circundante, já constituía um farol entre montes e vales. De facto, foram factores de ordem cultural que alçapremaram esta localidade de tal modo que a sua projecção se espalhou com invulgar dimensão a uma escala que ultrapassava os acanhados limites regionais. Isto é: podia não se saber onde se localizava Benfeita, mas toda a gente sabia que existia.

E se há conhecimento de que já no século XVIII padres da Companhia de Jesus tomavam parte na evangelização do Brasil, viria depois a juntar-se a craveira de Simões Dias no século seguinte, para além de outras figuras de destaque como a família Mathias.

Por tudo isto não surpreende que a Benfeita se apresente com um enquadramento urbanístico cativante, com belos exemplares de arquitectura civil e religiosa.

É este potencial que António Quaresma Martinho pretende dinamizar, de modo a tornar ainda mais apetecível a zona que margina as duas ribeiras que, na sua poética, reforçam toda a ambiência que aqui se respira.

E assim, enquanto se aguarda a reabilitação do tecido urbano (por parte do GTL), o presidente da Junta de Freguesia avança já com a intenção de "arejar" a ribeira da Mata, junto à confluência com a do Carcavão (no Areal) retirando-lhe a cobertura em cimento (do recinto desportivo) decerto construída com boa intenção, mas hoje completamente desenquadrada. O recinto desportivo será transferido para junto à encosta onde se situa a romântica fonte que necessita de ser rebaptizada, na medida em que a denominação de "Fonte das Moscas" em tudo contraria a sensação de beleza e frescura que ali se usufrui.

Mas uma freguesia que dispõe de polos de atracção como o santuário de Nossa Senhora das Necessidades, a Fraga da Pena (neste momento a receber obras de beneficiação com a colaboração do ICN) ou a Mata da Margaraça, tem também de dispor de melhores condições de acesso.

Por isso está já em estudo uma estrada panorâmica, bem como a melhoria da que liga Coja a Porto da Balsa.

Todos estes projectos de ordem material, a par de outros, indiciam uma inquestionável vontade de acertar o passo com o futuro. Mas também os de ordem social estão na mente de António Quaresma Martinho, alguns de profundo alcance como o que se projecta para a Quinta do Dr. Urbano. E neste âmbito, é com comovedora satisfação que refere a electrificação de Chão de Valado, um modesto casal, junto a Monte Frio, que assim teve possibilidade de entender o mundo actual com a plenitude de todos os sentidos

E a propósito apetece recordar os versos de Simões Dias, quando diz:

"Desvendar o futuro, ao cérebro dar luz
Tornar menos pesada a ensanguentada cruz
De quem vai seu calvário e à custa de fadiga
Na sombra anda a buscar do amigo a mão amiga (...)."

A.V.


A COMARCA DE ARGANIL - 11/09/2001

Liga de Melhoramentos da Freguesia de Benfeita
Comissão recordou antigos dirigentes

Assinalando mais um aniversário a Liga de Melhoramentos da Freguesia da Benfeita organizou uma simbólica festa que teve por objectivo homenagear todos os presidentes de Direcção desde a sua fundação, distinguindo António Nunes Leitão, que foi também um dos maiores beneméritos desta freguesia nas últimas décadas.

A iniciar a solenidade teve lugar, na igreja paroquial, uma missa por alma de todos os sócios e presidentes já falecidos, que foi celebrada pelo padre António Dinis que, na altura própria, elogiou os promotores da homenagem por tão feliz ideia.

Em seguida realizou-se uma romagem ao cemitério da Benfeita onde foi descerrada uma lápide e cobertura em mármore na campa de António Nunes Leitão, tendo o Eng.º Carlos Carvalho, presidente da Liga, o Eng.º Carlos Brandão, membro da Liga, e Fernando Ferreira, presidente da Assembleia de Freguesia, palavras de gratidão à memória de António Leitão. Terminada a romagem ao cemitério toda a gente se concentrou na sede da Liga onde numa parede da sala principal foram colocadas as fotografias dos ex-presidentes e se procedeu ao seu descerramento. Para além dos membros da Direcção da Liga, dos presidentes da Junta e Assembleia de Freguesia encontravam-se presentes Mário Vale, vereador da Cultura da Câmara Municipal, Hildeberto Teixeira, em representação do Governador Civil de Coimbra, e Dr. Dinis Jaime, que representava a Federação Portuguesa das Colectividades Cultura e Recreio. Foram oradores alguns membros da Liga, Mário Vale, Fernando Ferreira, Dr. Dinis Jaime e Hildeberto Teixeira que, como todos os outros, louvaram a actividade da Liga durante mais de meio século e apelaram para que a homenagem fosse extensiva às esposas. Terminou a festa com um beberete que decorreu na maior harmonia.

Durante a sua existência, a Liga de Melhoramentos da Freguesia de Benfeita teve os seguintes presidentes: Dr. Elísio Dias da Fonseca, António Correia, António Nunes Leitão, António Gaspar Pimenta, José Macedo dos Santos, António Oliveira Gaspar, Hermínio Filipe Dias, Alfredo Oliveira Gonçalves Martins, António Rosário Dias, José Augusto Gomes Simões, José Alberto Oliveira Gaspar, Manuel de Jesus Farto, António Augusto Correia Marques, Manuel Simões e José António Ramos Santos.

Presidentes da Liga 1945-2001


A COMARCA DE ARGANIL - 05/07/2001

Exposição de Alberto Péssimo

No próximo sábado, pelas 19 horas, na Sala Guilherme Filipe, será inaugurada uma exposição intitulada "As Meninas", da autoria do artista Alberto Péssimo, com a qual será dado início ao Ciclo de Exposições de Artistas do concelho de Arganil.

Alberto Péssimo é o pseudónimo de Carlos Alberto Nunes Dias, ligado à Benfeita (Arganil), onde tem casa e se desloca frequentemente, utilizando também o pseudónimo de Carlos da Capela. Carlos Dias é poeta, pintor e escultor, formado pela Escola de Belas Artes do Porto, leccionando naquela cidade no Colégio dos Órfãos.

Paralelamente tem sido também encenador em várias peças de teatro em parceria com outros artistas, para além de ser orientador de cursos de teatro.

É membro de várias organizações culturais, como a Cooperativa Arganília e Editorial Moura Pinto, e colaborador de vários jornais, nomeadamente de A Comarca de Arganil.

Na poesia, para além de poemas dispersos publicou "Cancioneiro da Benfeita" (1988) e "Preces" (1988) e em prosa escreveu "Benfeita - Movimento Regionalista" (1989), "As Alminhas Populares" (1987) e "Alberto de Moura Pinto" (selecção e organização - 1994).

A COMARCA DE ARGANIL - 12/07/2001

OS NOSSOS ARTISTAS

As "Meninas" de Alberto Péssimo

Alberto PéssimoEncontra-se patente na sala Guilherme Filipe, no Museu Etnográfico de Arganil, a exposição de pintura de Alberto Péssimo, artista oriundo de Benfeita (Carlos Dias), que também usa o pseudónimo literário de Carlos da Capela.

Nestes trabalhos, que Rui Madeira classifica como uma "materialização do olhar", Alberto Péssimo apresenta-se como o mais vanguardista do nossos artistas (leia-se, da nossa região) e, por isso, a sua arte está longe de captar os favores de um público cujas matrizes artísticas se inclinam para os trabalhos reveladores de jeito de mão.

Mas, talvez por não percorrer trajectos mercantilistas, Alberto Péssimo plasma nas suas obras toda uma formação que tem em conta que todo o acto artístico encerra em si um momento de criação. Criação que é também um momento de ruptura, para quem não queira pactuar com valores fáceis.

Nas "Meninas", que agora apresenta em Arganil, é notório que Alberto Péssimo não procura trilhar os caminhos dos interesses e, sem tibiezas, assume-se como um autor que dá vida (ou decompõe) as figuras. E, se por um lado, lhes pode roubar a aparência, já, por outro, dá-lhes vida e diálogo.

E aqui entra o encenador que Alberto Péssimo também é, faceta que se salienta no modo como trata, num universo muito pessoal, situações como o risco, a caricatura e o humor.

Dessa "representação" resulta que em cada quadro há uma história (romanesca) que leva até aos espectadores sonhos, utopias, desesperos e esperanças, mistura que, no entanto, não esconde um sentimento primeiro: a melancolia.

Em suma: Alberto Péssimo, ainda que não o pareça, na sua orientação estética concede especial importância à figura humana. Não em traços de macaqueação, mas sim de experimentação, inovação e coração.

A. V.

A COMARCA DE ARGANIL - 17/07/2001

Exposição do pintor Alberto Péssimo

Velasquez é um dos nomes mais sonantes da pintura universal, como é sabido, tendo provavelmente no quadro intitulado "As Meninas" a sua obra mais famosa. Este quadro, com efeito, de tão conhecido, estudado, referido e admirado, acabaria por corresponder a uma das referências mais luminosas do universo da pintura. Nesta ordem de ideias, alguns têm sido os pintores que, numa espécie de homenagem à memória do grande artista sevilhano, se têm entregue ao "divertimento" pictórico de fazerem a leitura de "As Meninas" dum modo muito pessoal. Acontece que Alberto Péssimo, o pintor arganilense por adopção que faz a sua vida na cidade do Porto, foi um desses artistas. De facto, concebeu e produziu uma série de quadros, a par de um tríptico de muito maiores dimensões, destinados a ser encarados como partes dum conjunto único. Digamos uma colecção de sessenta variações desenvolvidas em torno de um mesmo tema: "As Meninas", de Velasquez. Variações a que o artista ligado à Benfeita imprimiu, naturalmente, o seu cunho próprio. Ora, foi a exposição dessa colecção de sessenta peças que Alberto Péssimo, em colaboração com o Pelouro da Cultura, do Município arganilense, apresentou, no passado dia 7, na Sala Guilherme Filipe, na Casa da Cultura de Arganil.

A concepção deste trabalho terá sido bastante influenciada pela forte ligação que Alberto Péssimo mantém, há anos, à produção do espectáculo teatral, domínio em que igualmente se tem vindo a afirmar e a impor como cenógrafo e figurinista, principalmente, mercê de uma dedicação persistente e deveras meritória. É Rui Madeira quem chama a atenção para o facto dessa ligação nas palavras com que abre o catálogo da exposição de uma outra serie de trabalhos que Alberto Péssimo dedicou ao mesmo assunto.

Efectivamente, o artista começa por desconjuntar mentalmente os figurantes de "As Meninas", para seguidamente os tratar, isoladamente ou não, reduzidos à maior simplicidade, em diferentes posições, segundo novas perspectivas, alterando a incidência da luz que recebem, modificando o vestuário que usam. E como o autor recorre a um estilo de pintura que faz gala em não reproduzir fielmente as feições das figuras reproduzidas, visando mesmo o efeito contrário, elas acabam por ganhar um ar estranho, quase tosco, muito embora conservando sempre um resto de sinais distintivos da sua identidade. E a propósito do estilo de Alberto Péssimo, ou melhor, do estilo que o pintor adopta nesta série de trabalhos, em que a simplificação e a deformação são notas dominantes, volto a dizer, não quero deixar de referir um ponto que feriu especialmente a minha atenção: a facilidade com que o artista, com uma tão grande economia de meios, consegue captar a "pose" - com alusão especial ao olhar - das figuras do painel central do tríptico, de que atrás falei. Penso que se trata aí dum pormenor bem revelador do talento do artista arganilense.

Sejamos francos: Alberto Péssimo não é um pintor "fácil". O carácter vincadamente modernista desta sua maneira de se exprimir presta-se a facilmente chocar o chamado grande público, no meio do qual me incluo. Efectivamente, devo confessar que dou a minha preferência ao estilo, mais tradicional, que o artista costuma usar quando é motivado pela contemplação da paisagem, por exemplo. Não obstante, quero também acrescentar que sinto alguma coisa a dizer-me que Alberto Péssimo, com este seu trabalho, deu um decisivo passo em frente na sua caminhada de pintor. Se outros indícios não tivesse, bastar-me-ia este que não costuma falhar: o interesse com que - noto - o seu nome e a sua obra começam a ser referidos entre os seus pares, razão pela qual não hesito em lhe enviar daqui, para remate desta simples noticia, um sentido abraço de parabéns. Parabéns extensivos, claro à Câmara Municipal de Arganil por mais esta iniciativa em prol da elevação do nível cultural dos seus munícipes.

AMÂNDIO GALVÃO

Veja também:
Alberto Péssimo


A COMARCA DE ARGANIL - 28/06/2001

Festa do Santíssimo Sacramento

Teve lugar na Benfeita a festa em honra do Santíssimo Sacramento, em que toda a freguesia religiosamente comparticipou, muitos certamente com aquilo que lhes é possível, outros com aquilo que a consciência lhes pede, mas de facto verificou-se na maioria a sua crença e espírito de fé e se não houver estes dons é difícil organizar a festa, pois a população é cada vez menor e os custos cada vez maiores.

Salvo raríssimas excepções, toda a gente concorre voluntariamente para esta solenidade religiosa, o que mostra bem a crença que o povo mantém e que é também motivo de satisfação ou uma espécie de recompensa para quem se disponibiliza para esta incumbência.

Todas as cerimónias decorreram na igreja de Santa Cecília, presididas pelo padre António Dinis, que tudo orientou com o melhor requinte, tendo tudo corrido da melhor forma possível.

Várias crianças comungaram pela primeira vez, outras fizeram a sua Profissão de Fé e após a missa solene seguiu-se a procissão que percorreu as ruas pelo itinerário do costume e em que se incorporaram as Irmandades da Senhora da Paz, do Sardal; S. Nicolau, de Pardieiros e Senhora da Assunção e Santíssimo, da Benfeita, e muito povo, tendo-se de seguida procedido à venda de fogaças no Largo do Areal.

Após o almoço a Filarmónica "Pátria Nova", de Coja, deu um concerto no Areal, tendo sido muito aplaudida.

CENTRO SOCIAL

O Centro Social da Benfeita continua sempre que possível a preparar divertimentos para os seus utentes. Desta vez foi em Coja, onde o Centro Social daquela vila organizou o Grande Prémio de Atletismo para jovens e adultos e entre, outras freguesias, também a Benfeita esteve presente.

Todas as pessoas que ali se deslocaram para assistir ou participar dizem que só trouxeram boas recordações.

SEDE DA LIGA DE MELHORAMENTOS

Foram já iniciadas as obras de restauro da sede da Liga de Melhoramentos da Freguesia da Benfeita, esperando-se que no próximo Verão tudo esteja pronto para que ela possa ter um novo aspecto e dar melhor comodidade aos associados e amigos.

VISITAS

O almoço de comemoração do aniversário da Liga, que há dias decorreu em Lisboa e, ao que consta, em ambiente bastante agradável, não facilitou que os benfeitenses ausentes naquela cidade aproveitassem os feriados, pois apenas contámos com a visita do Eng.º José Mário Mathias, que aqui passou uns dias.

A.COSTA


A COMARCA DE ARGANIL - 07/06/2001

Aniversário da Liga de Melhoramentos

Foi em Lisboa que a Liga de Melhoramentos da Freguesia de Benfeita comemorou o 56º aniversário da sua fundação com um almoço de convívio, que reuniu uma boa assistência e teve lugar no restaurante "Stadium", no Estádio Universitário.

A mesa de honra foi constituída por Dorinda Martins, senhora já idosa que representava as restantes senhoras de Benfeita; Dr. Ivan Nunes Pratas, pela juventude da mesma aldeia; Carlos Brandão; Eng.º João Manuel Rodrigues de Oliveira, vereador da Câmara Municipal de Arganil; Carlos Pacheco, presidente da Direcção; Aurélio Quaresma; Alfredo Paulo de Jesus, presidente do Conselho Fiscal, que também representava a colectividade de Covanca; Fernando Ferreira, presidente da Assembleia de Freguesia; Helena Santos e Carlos Cerejeira.

A imprensa de Arganil esteve representada por António Neves Tavares e estavam ainda representadas as colectividades de Luadas e Pardieiros, lugares da freguesia.

Findo o almoço Carlos Brandão leu uma carta de Carlos Ramalho, que entre outras coisas dizia "ser com imensa pena que se encontrava ausente", porém, razões de ordem familiar, já explicadas ao presidente da Direcção, não lhe permitiam confraternizar. No entanto deixou bem patente no seu escrito a ideia de que se a presença física não era possível, estava de alma e coração, bem como agradecia daquela forma a comparência de todos naquele convívio. Após esta explicação que se impunha, recordava todos os que antes trabalharam e contribuíram para o desenvolvimento e para que ainda hoje exista a Liga de Melhoramentos da Freguesia de Benfeita. A esses, e foram muitos, o seu bem-haja. Mais adiante dizia que estas instituições foram criadas e implementadas para dar resposta a alguns anseios das populações onde não era possível uma intervenção do Estado, e que hoje se justifica a sua existência desde que visem a solidariedade e convívio social dos cidadãos. Lembrava que a Liga, aos residentes, devia proporcionar as melhores condições de forma a suprir as suas necessidades ou suavizar o seu "isolamento" e a falta dos seus familiares, uns, "que já partiram" e outros que residem fora.

A estes últimos, que pelo menos sirva de motivo para estas confraternizações, pois muitos deles, às vezes vivendo perto, só se vêem ou convivem de longe em longe. Terminou dizendo que esta direcção e restantes órgãos sociais, tem grande vontade em dinamizar a vida da Liga, mas que para isso precisam da ajuda de todos.

O Dr. Ivan Nunes Pratas, pela "Juventude", também leu urna carta de Salvador Pratas, que não pôde estar presente mas não se esqueceu de mandar um envelope com um cheque/mistério, que só podia ser aberto depois de arrematado em leilão, o qual foi adquirido por Helena Santos por 60.000$00, tendo-se verificado posteriormente que era no valor de 50.000$00.

Alfredo Paulo de Jesus, pela Covanca, mas com ligações pelo casamento à Benfeita, deu os parabéns à aniversariante e disse poderem contar com ele para tudo quanto seja necessário em prol da Beira-Serra.

Luís Miguel, pelas Luadas, desejou à Liga as maiores felicidades para o benefício da freguesia.

José Carlos dos Santos, por Pardieiros, desejou à nova direcção os maiores êxitos para resolver todos os problemas que se propuseram realizar.

O Eng.º João Oliveira começou por dizer não representar ali a Câmara de Arganil, pois apenas ali estava como amigo de Benfeita, a cujos dirigentes da Liga desejou as maiores venturas, muito embora reconheça que as colectividades apenas devem lutar pelo bem-estar de todos os benfeitenses, no caso presente.

Fernando Ferreira, pela Assembleia de Freguesia de que é presidente, disse que a Junta estava de acordo com as iniciativas da Liga, que felicitou pela passagem do seu aniversário.

Carlos Cerejeira fez o ponto da situação das várias démarches em que está envolvida a Liga, em Arganil, e disse representar Manuel Simões, grande amigo de Benfeita, de quem era portador de alguns haveres para o leilão, para terminar referindo-se à actividade da Liga e do ex-presidente José António Ramos dos Santos, recentemente falecido, a quem foi atribuída uma calorosa salva de palmas.

Encerrou o presidente da direcção, Carlos Pacheco, com um extenso discurso, de que omitimos o que julgamos de menor interesse, começando por lamentar que a festa do Santíssimo, na Benfeita, tenha decorrido na mesma data daquele almoço de onde desviou várias pessoas. Passou a citar as intenções que a direcção se propunha realizar, como seja regularizar todo o património da Liga bem como criar condições para que os conterrâneos e amigos ao passarem pela Benfeita possam partilhar bons momentos dentro da sede. Para isso traçaram objectivos concretos para o ano em curso, como sejam registar todo o património da Liga. Neste momento já deram passos importantes nesse sentido com a preciosa ajuda de Carlos Cerejeira. Efetuaram as obras na sede da Liga para o que já havia contrato assinado com um empreiteiro da região, devendo as obras estar concluídas em Agosto. Para concretizar as obras a realizar, pelo facto do dinheiro existente não ser suficiente, pensam arrancar com um peditório brevemente. Informou terem estabelecido contacto de colaboração com entidades oficiais e privadas, adiantando que já obtiveram resposta favorável por parte da Carriça, de Coja, para o fornecimento da telha e azulejos e mosaicos por parte do associado e amigo Jorge Luís.

Pensam realizar um campeonato de futebol no Verão de forma a chamar as pessoas das terras vizinhas à Benfeita. Para isso já haviam contactado com a Junta de Freguesia para clarificar algumas dúvidas em relação ao campo de futebol, cujo terreno é da autarquia e não como está escrito e algumas pessoas pensam. Pensam também efectuar na Benfeita uma festa que será designada por "O DIA DA LIGA", onde homenagearão todos os elementos que pertenceram aos corpos gerentes ao longo destes 56 anos, cujo programa será oportunamente divulgado. A terminar fez votos para que na próxima comemoração possam estar todos outra vez para estabelecerem laços de amizade entre as diferentes gerações, garantindo assim a continuidade da Liga.

Seguiu-se o tradicional leilão de ofertas vindas da Benfeita, que renderam 419.000$00.

ANTÓNIO N.TAVARES

Veja também:
Almoço em Lisboa


VIVALDO QUARESMA - 05/06/2001

Centenário da "Comarca de Arganil"

Este prestigioso jornal regional, medalha de ouro do Concelho, com grande expansão no país e no estrangeiro, comemorou este ano o seu centésimo aniversário, no passado dia 1 de Janeiro.

Recordo com saudade a alegria com que este jornal era recebido pelo meu pai nos anos sessenta e setenta do século passado. Ele lia e coleccionava com grande prazer todas as suas edições e quando um número faltava ou se atrasava andava logo irritado e fartava-se de protestar. Eu não lhe dava tanta importância e, com a minha idade, tinha mais que fazer e com que me preocupar, mas habituei-me à sua presença, como se já fizesse parte da família. Passava-lhe os olhos com sofreguidão e só me detinha quando encontrava notícias da Benfeita, o que, infelizmente, raramente acontecia. E, com isso, fui alimentando a ideia de que a Benfeita era, também, a minha terra. Já o meu pai lia com atenção cada notícia e até as comentava com a família mais próxima.
Achava curioso o poder da informação deste jornal para aqueles que se encontravam ausentes das suas terras; mas, na época, era o único elo de ligação que tinham para se manterem mais próximos e mais informados. — Outros tempos!

É pois, com grande admiração, que aqui felicito todos aqueles, mortos e vivos, que ao longo destes 100 anos, se dedicaram à causa informativa deste jornal, mantendo acesa a chama da esperança de regresso à terra, de todos quantos pelos mais diversos motivos se encontravam ausentes, longe do seu torrão natal.

À Comarca de Arganil e aos seus colaboradores desejo muitas felicidades e muitos sucessos, na passagem deste seu 100º aniversário. Bem-hajam!

VIVALDO QUARESMA



 OUTROS ANOS: